A ONG Human Rights Watch (HRW) pediu nesta quarta-feira (15) o fim da “terapia de conversão” na China, uma prática controversa que busca “curar” indivíduos membros da comunidade LGBT para torná-los heterossexuais.

A organização de defesa dos direitos humanos pediu ao governo em Pequim o fim da terapia, que é ilegal de acordo com a legislação chinesa. “Se as autoridades chinesas estão empenhadas em acabar com a discriminação e o abuso contra as pessoas LGBT, é hora de pôr fim a esta prática nas instalações médicas”, disse Graeme Reid, diretor de direitos LGBT da HRW, em comunicado.

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A ONG divulgou um relatório, onde foram entrevistadas 17 pessoas. Elas descreveram terem sido retidas em instalações médicas, algumas em alas psiquiátricas, e passado por “consultas psiquiátricas, hipnoterapia, medicação, terapia de aversão e tratamento de eletrochoque”. Na maioria dos casos, as pessoas foram tratadas em hospitais públicos, levadas pelos próprios familiares, embora a homossexualidade seja legal na China desde 1997 e tenha sido desqualificada como transtorno mental em 2001.

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“A experiência deixou um profundo impacto psicológico em mim”, contou Yang Teng, ativista dos direitos dos gays que foi submetido a choques na cidade de Chongqing, no sudoeste do país. No relatório, os homossexuais contam como, uma vez internados, eram atormentados por médicos, que os chamavam de “doentes, pervertidos e sujos”. Um deles foi submetido a terapia de aversão: “pacientes” tomavam medicação que forçava o enjoo, enquanto assistiam a pornografia gay.

Segundo as diretrizes do Comitê Nacional de Saúde chinês, o Estado tem obrigação de investigar atividades dos hospitais, onde é proibido o confinamento forçado de pacientes, a não ser que eles representem um perigo para a sociedade. Mas o governo ainda não tem leis claras para tratar o caso das “conversões” e para punir os responsáveis por aplicá-las.

Na China o casamento entre gays e adoção de crianças por casais do mesmo sexo não são permitidas. Também não existem leis específicas que protejam os cidadãos contra a homofobia, o que acaba afastando vítimas das “conversões” de buscarem justiça.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).