Um jovem gay refugiado do Iraque, de 27 anos, teve seu pedido de asilo negado para viver a Áustria mesmo contando aos funcionários do escritório de imigração sobre seu trabalho como militante LGBT do grupo RosaLila em seu país desde 2015.

Ainda que homossexualidade não seja crime no Iraque, pessoas LGBTs sofrem muita violência e discriminação por lá com alguns inclusive sendo submetidos a Lei da Sharia, que estabelece pena de morte para LGBTs em alguns lugares do Oriente Médio.

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Em seu depoimento, ele também contou que se entendeu gay e se aceitou desde então aos 16 anos, mas tem dificuldade em esconder sua sexualidade de parentes e amigos, o que torna sua existência insegura no país.

“O problema de homossexuais por lá é que somos mortos por pessoas que dizem que somos contra sua religião e ideias de sociedade”, afirmou ele ao jornal austríaco Kurier.

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Um relatório divulgado em junho mostrou que 96% dos iraquianos LGBTs sofrem violência física e verbal por conta de sua sexualidade ou identidade de gênero.

Acontece que o chefe de imigração não acreditou em suas palavras. Na carta de negação do asilo, escreveram que o garoto não foi convincente e a maneira como se colocou pareceu “atuada”, “afeminada em demasia” e não autêntica, falando em relação a ele se demonstrar excessivamente afeminado, e segundo os funcionários, pouco crível.

Eles acrescentaram: “Você não agiu autenticamente”, afirmando que “não acreditavam que ele fosse gay”.

O departamento do governo responsável por aceitar ou rejeitar o requerente de asilo reagiu contra as críticas à decisão negando as acusações.

No começo do mês, legisladores austríacos pediram a renúncia do político de extrema direita Bruno Weber, depois que o vereador do Partido da Liberdade, chamado casal gay de “bichas” e “negro”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).