Em reportagem do jornal O Globo, ativistas LGBTI+ negros contam as suas experiências e falam da necessidade de olhar para a comunidade com as individualidades de cor que ela possui.

O diretor da rede Afro LGBT, Washington Dias, afirma que “Há questões diferentes. Enquanto os gays brancos lutam por matrimônio e igualdade, a realidade para a imensa maioria dos negros gays é lutar pelo sobrevivência”. Dias foi o primeiro negro a presidir o Conselho nacional LGBT, em 2018.

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Durante o evento “Resistências LGBTIs Negras”, organizado pelo Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos, que a reportagem cobriu, Washington Dias conta que a vulnerabilidade de LGBTI+ negros é maior, citando como exemplo a incidência de HIV-Aids, que tem caído na população branca, mas crescido entre os negros. Ele ainda observa que 80% dos homícios de mulheres transsexuais são negras.

Outro problema levantado pelo ativista é a questão da subnotificação. Devido a LGBTIfobia possuir dados registrados apenas por ONGs, o estudo sobre as causas desses crimes também envolverem o racismo é ainda mais difícil.

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Para Bárbara Alves, do LesBi Bahia, o preconceito está em ações corriqueiras. Como exemplo, ela cita a realização de exames ginecológicos no SUS, utilizado na maioria por mulheres negras, em que os médicos não se dão ao trabalho de questionar a orientação e identidade sexual das pacientes, o que gera constrangimentos e abandono da prevenção.

“Agora no sistema privado de saúde, onde há mais brancas que negras, o tratamento é diferente, até pela forma da relação entre médico e paciente ser outra”, afirma Bárbara.

A reportagem ainda conta que durante o evento, a transsexual Kukua Dada relatou que “O que vemos é que se uma trans é branca e loira ela é muito mais “passável” pela sociedade. Se é negra, tem muito mais chances de sofrer violência, achaques da política e discriminação”.

“O racismo potencializa a homofobia, da mesma forma que a homofobia turbina o racismo. Este grupo de pessoas precisa ser entendido com suas características. Somente o debate a conscientização podem mudar esta realidade”, orientou durante  o evento o diretor do Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos, Carlos Quesada.

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