Mais de 200 feministas escreveram para o jornal britânico The Guardian rejeitando o argumento de que os direitos das pessoas trans são uma ameaça para as mulheres cisgênero.

A carta foi organizada em resposta à cda escritora do The Guardian, Suzanne Moore: “As mulheres devem ter o direito de se organizar. Nós não seremos silenciadas.”

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Um punhado de funcionárias do The Guardian estão entre os signatários da carta.

Nim Ralph, uma ativista comunitária que assinou a carta pró-trans, disse: “O The Guardian continua dando espaço a essas ‘idéias’, ampliando uma pequena subseção do movimento feminista que quer colocar pessoas trans contra mulheres cis, como sendo outra categoria, sub-humana.

“É preciso fazer melhor, é preciso reconhecer – como Suzanne Moore apontou – que pessoas trans (mulheres, homens e pessoas não binárias) estão na mesma luta por nossas vidas com mulheres cis contra a violência de gênero e a construção patriarcal de que as funções reprodutivas de nossos corpos são o que determinam nossa posição social.

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“Seria ótimo se houvesse mais colunas dedicadas a falar sobre como estamos lutando efetivamente em questões que vão da violência doméstica ao HIV até a justiça racial, como representado nos signatários desta carta, em vez de alimentar o fogo que há muito tempo existe e nós divide.

“O mundo precisa de nós ombro a ombro mais do que nunca agora, eu gostaria que o The Guardian parasse sua campanha de nos dividir. É chato e cansativo.”

Políticos britânicos, incluindo Sian Berry, co-líder do Partido Verde; Christine Jardine, porta-voz da igualdade do partido Liberal Democrata; e os parlamentares trabalhistas Zarah Sultana e Nadia Whitome assinaram a carta.

“A coluna de Moore não representa as opiniões do público, nem é representativa das opiniões da maioria das mulheres”, diz a carta.

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É assinado pelas principais mulheres e pessoas não-binárias de uma seção transversal da vida pública britânica, incluindo a cantora Beth Ditto; a autora Reni Eddo-Lodge; Lady Phyll, fundadora britânica do Black Pride; a editora-chefe da revista Cosmopolitan, Claire Hodgson; Jo Grady, secretária geral da UCU; e Kate Allen, diretora da Anistia Internacional do Reino Unido.

A Carta ao The Guardian

“Rejeitamos o argumento apresentado em uma coluna de Suzanne Moore para o G2 (03.03.2020), na qual ela implica que advogar por direitos trans representa uma ameaça para as mulheres cisgêneros. A British Social Attitudes Survey (2017) constatou que a maioria do público britânico apoia pessoas trans, com maior probabilidade de as mulheres serem favoráveis ​​aos direitos trans do que os homens. A coluna de Moore não representa as opiniões do público, nem é representativa das opiniões da maioria das mulheres.

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As pessoas trans e as mulheres cisgênero são discriminadas por causa de seu gênero. É por isso que ambos os grupos sofrem assédio nas ruas, violência sexual, abuso doméstico e pobreza a taxas muito mais altas do que os homens cisgêneros. As pessoas trans enfrentam mais dificuldades em acessar cuidados de saúde, taxas mais altas de suicídio, problemas de saúde mental mais frequentes e são mais propensas a serem vítimas de crimes de ódio.

Estamos juntos em oposição a esses abusos e desigualdades. Como crentes em direitos humanos e justiça, é nosso dever apoiar todas as comunidades marginalizadas enquanto lutam por respeito e igualdade. E, como feministas, acreditamos que precisamos continuar lutando por serviços e recursos baseados em gênero juntos.”

Matéria traduzida do site Pink News. Confira o texto original aqui.