Hoje, acabo de ver no jornal local de SP na TV que o número de homicídios caiu e que o número de feminicídios aumentou. Também vi que o número de agressões por homofobia aumentou.

Não acredito neste aumento de crimes. Acredito sim, no aumento das notificações à polícia sobre a existência dos crimes que sempre foram brutais, sempre foram direcionados à população LGBT e, às mulheres.

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O que aumentou, na verdade, foi a coragem das pessoas em denunciar tanto a agressão como os agressores.

Sempre, a população LGBT foi agredida, discriminada, mal tratada e, principalmente, renegada.

Em outros tempos, até próximos, começamos a ser tolerados, em um processo que ia de pouco a pouco matando o preconceito, ainda que fosse pelo medo das pessoas em expressar suas opiniões rasas.

Agora, depois de uma eleição de um governo absolutamente radical em relação às minorias, com a extinção de programas e conselhos que fomentavam a identidade LGBT, a coisa piorou e muito.

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As pessoas se acham no direito de propagar seus preconceitos e, chegamos ao cúmulo de um prefeito (caído no ostracismo de sua própria incompetência), chamar para si (municipalidade) a responsabilidade por gerir a moral e os bons costumes, mandando apreender livros de HQ onde se viam dois personagens masculinos se beijando.

Foi lindo ver, no dia seguinte, no dia da Independência do Brasil, o tal casal se beijando na primeira página de um jornal de circulação nacional. O recado era muito subliminar de que a censura não seria mais tolerada no Brasil. E, foi por conta desta falta de censura que nós, LGBT’s noticiamos cada vez mais as agressões que sofremos e por isso os números aumentaram tanto.

Antes, o medo, o preconceito, a falta de empatia, nos impedia visceralmente de comparecer a uma delegacia para fazermos um Boletim de Ocorrência.

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Mais do que nunca agora é necessário denunciar, gritar, brigar e muito pelas posições que já haviam sido alcançadas e, estão muito ameaçadas neste momento.