Suzi, a detenta trans que ganhou fama após aparecer em entrevista ao Dr Dráuzio Varella na penúltima edição do Fantástico, da TV Globo, a princípio ganhou uma onda de solidariedade de boa parte da audiência na Internet que queria realizar seu sonho de receber um abraço, algo que segundo ela, não acontecia há sete anos.

Após a exibição da entrevista, mais de 200 pessoas se manifestaram e quiseram escrever cartas para ela além de doarem dinheiro e desejar melhoras.

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Acontece que após a revelação do qual foi seu crime por estar presa há oito anos em regime fechado, muitas pessoas se sentiram no direito de julgá-la na Internet. Segundo divulgado pela imprensa e posteriormente confirmado pela Secretaria de Administração Penitenciária, Suzy assassinou e abusou de um jovem de 9 anos de idade, e por isso foi condenada a mais de 30 anos de prisão.

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Claro que conservadores partiram pra cima exercer sua LGBTfobia, como se nenhum heterossexual cisgênero cometesse crimes. Oras, estes mesmos conservadores são os que passam o pano em Bolsonaro ovacionando torturador Ustra, não são? Cadê a indignação aí? Não são estes que se intitulam cristãos antes de todos? Cadê os ensinamentos de Cristo aí?

Claro que o crime é abominável, como seria a qualquer ser humano independente de orientação sexual ou identidade de gênero, mas também é óbvio que tem gente que se aproveita da situação pra manifestar seu preconceito disfarçado de ódio ao crime cometido. Sobre seu ato hediondo, condenável e injustificável (é claro!), Suzy já está pagando o que a Justiça determinou sete anos atrás.

Diante da revolta acabou sobrando até para o Doutor Dráuzio Varella, achincalhado nas redes sociais e chamado até de “adorador de pedófilo”, dentre outros absurdos. Em nota, o médico afirmou que não é juiz, mas médico. Leia sua resposta na íntegra.

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Em um novo capítulo desta história, Suzy agora teve uma cartade sua autoria divulgada por sua advogada, Bruna Castro, onde assume seu erro e pede perdão publicamente. Leia na íntegra:

“Eu, Suzi Oliveira, ‘Rafael Tadeu’, venho dizer que na entrevista ao jornal Fantástico não me foi perguntando nada referente ao B.O.

Sei que errei e muito. Nenhum momento tentei passar como inocente. Desde aquele dia me arrependi verdadeiramente e hoje estou aqui pagando por tudo que eu cometi…

Errei, sim, e estou pagando cada dia, cada hora e cada minuto aqui neste lugar…

Antes não tive essa oportunidade, agora que estou tendo, apenas quero pedir perdão pelo meu erro no passado…”.

Ao público, a advogada da condenada lembrou: “Não cabe juízo de valor neste momento à quem já está pagando sua pena estabelecida pela Justiça”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).