Um estudo conduzido pela Organização de Mídia, Gênero e Número, financiada pela Fundação Ford, trouxe novos dados sobre a LGBTfobia no Brasil.

De acordo com o relatório, desde a eleição passada, existe uma percepção de aumento da escalada de violência contra a população LGBT no Brasil. 92.5% dos entrevistados afirmaram isso.

Mais da metade (51%) disse ter sofrido algum tipo de violência em função de sua orientação sexual ou identidade de gênero também desde as eleições. Destes, 94% foram vitimas de violências verbais e 13% de violência física.

“O objetivo da pesquisa era entender como o discurso de ódio incentivado e disseminado a partir das eleições foi percebido pelas pessoas LGBTs, e se de fato havia ocorrido uma escalada deste tipo de agressão”, explicou a diretora da organização, Giulliana Bianconi.

Ainda segundo o antropólogo e coordenador do estudo, Lucas Bulgarelli, também foi constatado que boa parte das denúncias contém gestos e maneirismos de identificação destes agressores ao presidente (então candidato) Jair Bolsonaro, como o gesto de armas com as mãos ou gritos como “Viva Bolsonaro”, “Bolsonaro vai mudar isso aí”, etc.

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“A violência contra LGBTs no Brasil já é grande e cotidiana. mas houve um aumento nas denúncias de organizações LGBTs a partir do período eleitoral, quando debates morais, com conteúdo de gênero e sexualidade, ganharam relevância”, disse Lucas Bulgarelli.

O ativista LGBT Toni Reis, presidente da Aliança Nacional LGBTI confirma que houve aumento no número de denúncias de violência LGBTfóbica a partir das eleições: “Foi uma loucura. parece que a homofobia e a transfobia saíram do armário e vieram para as ruas”.

Quem também confirma o aumento é Julio Cardia, ex-coordenador de Promoção dos Direitos LGBT do Ministério dos Direitos Humanos. Segundo ele revelou, o Disque 100 recebeu em outubro do ano passado, 272% mais denúncias de agressões a LGBTs do que no mesmo período do ano anterior. Foram 330 casos de agressão contra 131 registrados no mesmo mês de 2017.

Entre a população trans, 76% das travestis, mulheres trans e homens trans pesquisados, declarou que a violência contra eles aumentou consideravelmente desde as eleições de 2018.

Os locais onde as agressões mais ocorreram foram em ruas e espaços públicos (83%), comércio e serviços públicos (45%) e ambientes familiares (38.5%). A soma se dá maior que 100% pois cada indivíduo pode ter sido agredido mais de uma vez em locais diferentes.

16% das violências registradas foram praticadas por familiares ou conhecidos da vítima, enquanto 44% alegou ter sido agredido por alguém desconhecido.

Quanto a reação à agressão, 63% das pessoas reagiram verbalmente, 22% fugiram e 16% buscaram ajuda. Somente 7% reagiram fisicamente.

Ao mesmo tempo é importante observar que a ascensão ao poder de um representante que sempre se disse contra LGBTs e incitou diversas vezes na mídia o preconceito, discriminação e até violência (em frases como “filho gay é falta de porrada” por exemplo), gerou também um aumento na conscientização da classe LGBT.

A pesquisa foi realizada com 400 LGBTs entre Rio, São Paulo e Salvador. Os dados do estudo serão encaminhados para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Unidos).

Confira a pesquisa completa aqui.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).