Um condomínio decidiu multar arbitrariamente um de seus moradores por ter decidido colocar uma cortina nas cores do arco-íris em um dos cômodos dentro de seu próprio apartamento.

Francisco Campos vive com seu namorado há cinco anos no imóvel, que fica na Rua Augusta, região central de São Paulo. Eles nunca tiveram qualquer problema no prédio até algumas semanas atrás, quando decidiram decorar o apartamento e colocaram em um dos quartos uma cortina nas cores da bandeira LGBT.

Alguns dias depois eles receberam uma intimação do condomínio com uma multa sob alegação de que a cortina colocada “interfere na valorização do patrimônio do condomínio”.

“Não há regras de cores de cortinas no prédio e todos os vizinhos têm as cortinas que querem! Por que a nossa está sendo questionada?”, questionou Francisco.

Ele ainda finalizou seu post refletindo sobre o momento atual conservador que vivemos: “Qual a intenção disso? Continuamos no embate, mas são tempos sombrios em que estamos e não podemos deixar piorar ainda mais elegendo um fascista para presidente.”

Curiosamente sobre este mesmo presidenciável citado, no CQC uma vez, Jair Bolsonaro afirmou que “vizinho gay é algo que desvaloriza imóvel”… Que coincidência, não?

Repare na foto abaixo que a cortina ainda está em uma janela do lado DE DENTRO do prédio. Além disso, fosse na janela que fosse, a cortina está DENTRO do imóvel e se não existe qualquer regra pra cor de cortina no condomínio, não há o que possa ser questionado.

Ou seja, não há qualquer motivação senão a homofóbica por parte dos vizinhos e/ou da administração do condomínio para uma atitude dessas, exigindo ainda que o casal arque com uma multa:

Condomínio alega “desvalorização do patrimônio” por uma cortina nas cores do arco-íris neste janela.

Vale lembrar que no Estado de São Paulo existe a lei 10.948 que pune e multa casos baseados em discriminação homofóbica e/ou transfóbicas seja por parte de estabelecimentos comerciais, instituições públicas, pessoas físicas ou mesmo ambientes privados, o que claramente é o caso, uma vez que ser LGBT não é algo que desvalorize uma pessoa ou mesmo um imóvel.

E aí, talvez com a multa que possa receber com base nesta lei, por uma decisão arbitrária e homofóbica, o boleto do condomínio acabe ficando mais caro para todos, não é?

A publicação de denúncia contra o condomínio viralizou na Internet e já conta com mais de 1.800 compartilhamentos. Fica aqui o nosso apelo a algum advogado que possa ajudar os garotos na causa.

Veja o post original abaixo publicado por Francisco Campos:

Assista também:

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).