Em uma iniciativa inédita no Brasil, o Colégio Liceu Franco-Brasileiro, no Rio de Janeiro, avisou aos pais de seus alunos que a partir de agora adotará gênero neutro em sua linguagem, adotando estratégias gramaticais para neutralizar a questão de gênero na instituição.

Ou seja, de agora em diante, expressões como “Olá, alunes!” para se referir a um coletivo, sem colocar necessariamente, por exemplo, um plural no masculino, como determina a língua portuguesa original, será permitido. Segundo recomentações, preferencialmente no caso, pode-se também usar uma palavra existente correspondente que não tenha gênero, como “Olá estudantes”, por exemplo!

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Ainda que parte dos alunos e pais torçam o nariz, a escola avisou que o intuito é enfrentar o machismo e sexismo da língua, que sempre coloca tudo no masculino prioritariamente, além de incluir alunos que não se identifiquem com o sistema binário de gênero, ou seja, a sociedade que divide tudo em masculino ou feminino necessariamente.

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“É para que docentes e estudantes manifestem livremente sua identidade de gênero contribuindo para uma representação mais digna e igualitária dos diferentes gêneros”, diz um comunicado do colégio sobre a adoção do gênero neutro. O documento também avisa aos pais que o Comitê da Diversidade e da Inclusão realizará palestras educativas sobre o tema.

Colégio Liceu Franco-Brasileiro: gênero neutro liberado. (Foto: Reprodução)
Colégio Liceu Franco-Brasileiro: gênero neutro liberado. (Foto: Reprodução)

Segundo o portal Universa apurou, nem todos os pais ficaram felizes com a notícia. Um pai muito sensato, que se diz a favor da mudança, afirmou à reportagem: “Eu consigo pensar fora da minha bolha. Se o colégio tiver algum aluno ou for receber alunos que vão se sentir melhor com esse tipo de comunicação eu não tenho como ser contra. Isso não vai mudar os valores do meu filho. Se vai fazer as outras pessoas se sentirem bem, OK. Se o professor chegar na sala de aula e ao invés de falar ‘oi, meninos’, falar ‘oi, menines’, isso não vai mudar a minha vida nem a do meu filho”.

Já uma mãe contra a medida disse: “Eu não sou a favor do ensino disso na sala de aula. A maioria dos pais não está aceitando isso. Eu não gostaria que a mudança de português fosse ensinada e cobrada dos alunos.”

O Colégio adiantou que, embora permita a utilização de gênero neutro a partir de agora, obviamente não pretende mudar a gramática da língua portuguesa no ensino, o que nem seria possível, mas quer apenas permitir o uso de uma linguagem menos binária.

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Ainda segundo o portal Universa publicou, a direção falou que “em comunicado recente, o colégio afirmou o respeito à autonomia de professores e alunos no uso da neutralização de gênero gramatical na escola. Em nenhum momento, informou que passaria a adotar essa prática em avaliações e em sua comunicação oficial”.

Ah, e como era de se esperar, deputados bolsominions do PSL já estão se articulando pra tentar criar uma lei que impeça escolas de adotarem gênero neutro. O presidente Jair Bolsonaro também criticou a notícia em sua live semanal ontem (11).

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).