Com o recente corte de verbas promovido pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas, o Centro de Referência e Defesa da Diversidade (CRD) da cidade infelizmente fechou as portas. O local era tido como referência em atendimento de pessoas LGBTs e promovia acolhimento e reinserção social.

O Centro atendia principalmente pessoas LGBTs em situação de maior vulnerabilidade, como mulheres trans e travestis, além de moradores de rua LGBTs, dando acolhimento, atendimento (psicológico / médico / etc) e encaminhamento.

Segundo noticiado pela Revista Forum, o CRD possuía uma verba anual de R$ 1,1 milhão, repassada para a organização Pela Vidda, que presta contas mensalmente. Em dezembro, outra organização venceu o edital da prefeitura, mas não apresentou a documentação necessária para assumir o espaço. Com isso, a Pela Vidda continuou em caráter emergencial e esperava a assinatura de um contrato em junho, que não ocorreu devido a “cortes”.

Nas redes sociais, usuários do Centro também lamentaram a decisão: “Foi lá que eu iniciei meu tratamento hormonal e tive a ajuda de um advogado para retificar meus documentos…. Triste porque era o único da América Latina voltado ao público LGBTQIA+, onde fui tratado com mt respeito, um lugar com excelentes profissionais!”, afirmou um beneficiado pelo programa em um tweet.

A justificativa da Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo é de que o Centro tem a mesma finalidade da secretaria de Direitos Humanos, portanto os mesmos serviços e atendimento continuarão a ser realizados em outro local.

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Ainda assim, organizações de Direitos LGBT criticaram a decisão por encerrar um atendimento específico a uma parcela da população que tem suas especificidades: “Somos o único serviço no Brasil direcionado exclusivamente a esta população na área da assistência social. Onde estas pessoas serão acolhidas? Serão atendidas por pessoas aptas a atenderem esta população? Não consideramos nisso apenas questões de orientação sexual e identidade de gênero, mas também preconceito, estigma e marginalidade atrelados a esta população”, disse Bruna Valin, técnica do CRD.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).