A drag queen Kaká Di Polly, uma figura muito importante para a comunidade LGBT por ter tornado possível de maneira inesperada a realização da 1ª Parada LGBT de São Paulo (conheça a história aqui) ainda na década de 90, foi duramente e justamente criticada na Internet após fazer uma postagem onde dissemina informações falsas e não científicas que atentam contra a saúde pública e desestimulam a vacinação em massa, algo tão crucial pra atravessarmos este momento.

Em seu Instagram, a artista postou um meme antivacina digno de bolsonaristas alienados de extrema-direita. Na imagem, se questionava uma suposta “invenção dessa nova variante do coronavírus”, afirmando que seria apenas uma maneira de justificarem “caso a vacina não funcione e aí vão dizer que você pegou a variante”.

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Primeiro de tudo é bom esclarecer: todo vírus muta em maior ou menor grau. Até o da gripe comum muta. Segundo, até agora todos os estudos indicam que as novas variantes detectadas até agora, como a de Manaus ou a de Londres, felizmente também são atingidas pelas vacinas desenvolvidas.

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Daí vem a importância justamente de se vacinar o maior número de pessoas o mais rápido possível, pois tendo menos chances de infecção, tempo de vida e locais de circulação, menor é a chance do vírus ter tempo de mutar e criar novas variações de si, mais resistentes, ou como no caso das mutações detectadas até agora, mais fáceis de serem transmitidas.

Segundo e não menos importante, é que vacinação é tudo que o Brasil precisa neste momento. É tudo que o mundo todo precisa. É a imunidade em massa que faz o vírus deixar de existir por ele não conseguir mais se espalhar rapidamente. É um verdadeiro desserviço Kaká Di Polly publicar em suas redes uma imagem que minimiza a importância da vacinação e desestimula o cidadão a ir se vacinar.

E terceiro, Kaká Di Polly, você não é médica, não é cientista e como se percebe, é extremamente influenciável e mal informada. Leia artigos de fontes confiáveis, converse com médicos e infectologistas e pergunte se faz sentido a sua postagem antes de espalhá-la. Compartilhar fake news, além de desserviço, configura crime. É um verdadeiro atentado à saúde pública sua postagem, tão “eficiente” quanto a recomendação do presidente e seu ministro general Pazuello de se administrar medicação preventiva contra coronavírus: um delírio negacionista.

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Em tempos de fake news e tanta desinformação que podem enganar e até matar pessoas, é inadmissível uma conduta do tipo. Uma vergonha. Um absurdo. Um crime.

Em consideração a não espalhar mais desinformação e atentados à saúde ainda, o site do Põe Na Roda se reserva ao direito de não anexar à esta notícia o post de Kaká Di Polly. Mas se quiser ver apenas pra comprovar a existência (ao menos até que a mesma ou Instagram delete por noção ou por espalhar fake news), está aqui.

No post onde compartilhou o meme antivacina, Kaká Di Polly foi extremamente criticada: “Kaká você é um deserviço pra comunidade. Sua história foi jogada na lama e espero que caia no esquecimento sem nenhuma memória e reconhecimento”, disse o influenciador @bee40tona. Já @hmcpedro afirmou: “Divulgação de informação falsa! Faz igualzinho o imbecil do presidente e seu ministro general incompetente.”

O jornalista Fefito aconselhou: “Kaká Di Polly, te peço encarecidamente: se informa melhor. Não caia em narrativa não comprovada pela ciência. Você é TÃO importante pra nossa comunidade. Então cuida da saúde e não propaga esse tipo de notícia falsa e que pode prejudicar tanta gente. A vacina é importante pra todos, inclusive para você voltar ao trabalho.”

Outros internautas não tiveram a mesma paciência: “Quanta burrice em um post”, “Puta que pariu! Você é um desserviço”, disseram, dentre outros detonando a artista.

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Vale lembrar que Kaká Di Polly votou em Bolsonaro e admitiu no ano passado que se arrepende porque fez isso “sem se informar” e não sabia que ele era tão incompetente e homofóbico. Oras, uma figura tão importante para a militância LGBT não se informar sobre o mínimo?! Não é de se surpreender que tenha caído novamente em fake news e esteja do lado errado. Sinceramente.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).