A atriz Laverne Cox, também ativista LGBT, falou sobre a violência à qual está submetida a população trans, com altíssimos índices de violência e assassinato, muito além da média da população cisgênero em qualquer região do mundo.

“Sua atração reprimida não é motivo pra me matar!”, disse ela ao programa AM2DM do Buzzfeed. Lá, a estrela de Orange is New Black discutia as razões por trás desta violência específica.

Ela falou: “Acho que as pessoas que atacam mulheres trans, o que eu diria pra elas é: sua atração não é razão pra violência. Há também mentiras como histórias de que mulheres trans são homens enganando pessoas para abusarem delas e que devem ser mortas por isso”.

“Sempre houve atração à mulheres trans, não precisamos enganar a ninguém pra conseguir um encontro!”, afirmou.

Falando ainda sobre a violência transfóbica, Laverne disse: “Temos que superar este estigma. Existe atração por mulheres trans e o preconceito com isso é enorme”.

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E não mentiu, né? Prova disso são os muitos encontros às escondidas por caras que só não assumem estas mulheres na vida. E o resultado desta falta de consideração humana à pessoas trans que são tratadas como meros objetos sexuais, são os enormes índices de depressão, doenças mentais e suicídio nesta parcela da população.

Vale lembrar que a transfobia e a atração reprimida por mulheres trans parecem caminhar de mãos dadas. Em um levantamento se constatou que o Brasil, além de ser o país onde mais se mata trans, também é o país onde mais se consome pornografia com travestis e mulheres trans. Não é coincidência.

Laverne Cox lembrou ainda da importância de não nos deixarmos levar apenas pelas péssimas estatísticas, mas também celebrarmos as conquistas recentes: “Devemos comemorar o espaço dado a India Moore na capa de uma Elle Magazine e Janet Mock e seu acordo com a Netflix. Lembrar também em particular de mulheres trans negras, suas vidas são tiradas simplesmente por serem quem são!”.

É importante ressaltar que a população de mulheres trans negras está ainda mais propensa a problemas como falta de moradia, desemprego, pouco ou nenhum acesso à saúde, o que torna essas pessoas ainda mais sucetíveis à violência comum e a violência transfóbica.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).