Um policial em Bartow, Flórida, pediu exoneração do cargo depois de admitir ter chamado um homem gay que lhe pediu ajuda de “bicha do c*ralho”.

Segundo informou o portal Queerty, o delegado interino Bryan Dorman confirmou que demitiria o policial Timothy Daughtry pelo crime de discriminação por homofobia se ele não tivesse renunciado ao cargo, segundo informou o The Ledger.

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Mas como tudo aconteceu? Timothy Daughtry atendia um chamado de Tyron Smith, gerente de programa do Abrigo Juvenil George Harris. O caso foi o seguinte: Um menino de 12 anos com “histórico de comportamento indisciplinado” acionou o alarme de incêndio no abrigo sendo que não havia incêndio, uma contravenção de primeiro grau. Os administradores queriam que ele enfrentasse as consequências legais disso.

Smith pediu ao policial Daughtry para prender o menino e os dois começaram a discutir se isso era um exagero. Smith, que é negro, comentou que se o menino fosse negro, ele já teria sido algemado, de acordo com o relato do incidente.

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“Isso me deixou chateado”, disse Daughtry. “Eu disse, bem, isso é besteira, você sabe. Eu disse para calar a boca. Nesse ponto, Sarge me disse para ficar quieto e ir embora – para entrar no carro. E enquanto eu estava indo embora e eu disse, ‘Bicha ‘do c8ralho e então entrei em meu veículo.”

Em sua defesa, o policial Daughty disse que usou apenas um termo que sempre usou enquanto crescia, ao longo da vida: “É diferente do que se dissesse ‘Bem, estou te ofendendo por você ser gay.”

A defesa faz sentido, mas a homofobia cultural não deixa de ser homofobia, né? Smith, que é gay e foi tratado deste modo, se ofendeu com o comentário. O delegado Bryan Dorman determinou que “independentemente de reconhecer o reclamante como gay ou não no xingamento, Daughty usou linguagem chula e um termo pejorativo diretamente para alguém que estava apenas pedindo ajuda ao policial, que tem a obrigação de respeitar o cidadão”.

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“Envolver-se em uma discussão com um membro da comunidade LGBT e usar sua sexualidade como xingamento em uma discussão é inaceitável para qualquer pessoa, especialmente um membro da comunidade policial”, disse Dorman.

E finalizou lembrando que LGBTfobia deve ser inaceitável no mundo em 2020: “Não vou tolerar esse tipo de comportamento de nenhum membro desta organização.”

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).