O Carnaval 2020 promete ser o mais representativo de todos os tempos.

A musa Camila Prins irá desfilar em quatro escolas de samba de São Paulo. Além de ser madrinha de bateria da Colorado do Brás, no Grupo Especial, ela também estará nos desfiles da Camisa Verde e Branco, no Grupo de Acesso, da Unidos de Santa Bárbara, no Grupo de Acesso 2, e da União Imperial, escola de Santos.

Camila, que também desfila na Suíça, contou ao G1 sobre as dificuldades e preconceitos que sofreu em toda a sua trajetória, porém a visibilidade gerada em prol da comunidade trans é que a encoraja a continuar.

“Quem é do samba sabe como é difícil conquistar este espaço. Ainda mais no Brasil, o país que mais mata LGBTs no mundo. Foram 20 anos de samba para estar aqui, e com o respeito das escolas e suas comunidades. Tenho recebido muitas mensagens dizendo que eu inspiro muitas outras mulheres trans a chegar onde cheguei. Me sinto vitoriosa. Eu venci, a comunidade trans venceu, estamos aqui e vamos ocupar cada vez mais todos os espaços.”

De 2002 a 2004, Camila desfilou pelas escolas Porto da Pedra e Império Serrano sem contar que é transexual.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

“Tinha medo de me bloquearem e não me deixarem desfilar. Minha estilista, que foi quem me levou, disse que não era para eu conversar muito, só me apresentar como Camila. Só fui bater no peito e dizer que sou trans quando entrei na frente da bateria em 2018.”

Em 2018, quando Camila foi coroada madrinha da Camisa Verde e Branco, integrantes da escola ameaçaram a fazer greve em protesto contra ela.

“Me eram negadas as oportunidades. Em uma reunião de destaques da Camisa eu comentei com a diretora Magali Tobias, filha do fundador, porque não uma rainha transexual na frente da bateria. Foi aí que ela me coroou. No dia seguinte os componentes queriam fazer greve porque não me queriam na bateria. Sempre pensam que trans é marginal, drogada, acharam que eu ia dar trabalho. Mas a Magali bateu o pé e falou que eles tinham que se preocupar com a nota 10 e não com o quem estava na frente da bateria. Mas isso Foi um primeiro momento, depois me aceitaram e hoje me dou super bem.”

Na Colorado do Brás, uma de suas atuais escolas, Camila foi muito bem recebida, já que quase metade dos integrantes são LGBTQ+. Brilhe muito, Camila!

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21 anos, geminiano, mineiro, jornalista formado pela UEMG. Apaixonado por música e artes de modo geral. Ex-bailarino na teoria mas danço nas festinhas bastante. Sonho em ser amigo da Rihanna e da família da Beyoncé. Provável futuro ex-bbb e quem sabe vencedor da Fazenda.