Escrevendo ao The New York Times, Sandy Jorgenson compartilhou sua jornada como mãe de “M”, agora com sete anos, que usa pronomes neutros em termos de gênero.

Aos seis anos de idade, “M” começou a se referir a si mesmo/mesma como “elu” e pediu aos pais que fizessem o mesmo. “Meses depois dessa troca, no entanto, ‘M’ chegou da escola angustiado com a forma como seus professores e colegas de classe estavam se referindo a elu. Percebemos que era hora de conversar seriamente com eles”, contou a mãe Sandy.

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“Quando meu marido e eu conversamos sobre identidade de gênero com ‘M’ e perguntamos como elu se viam e o que sentia, elu compartilhou conosco que não se identificava mais com o gênero que sempre achávamos que era. ‘Eu me sinto como um ser humano. Como uma pessoa. Isso é tudo – elu insistiu’, ele disse”, relatou a mãe.

Com o passar do tempo, ela e o marido tiveram mais conversas com “M” e, juntos, viram a criança se acomodar melhor com a identidade de gênero não-binárie.

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“Simplesmente falando, deixamos nossa mensagem clara: dissemos a ‘M’ que o amamos inequivocamente, estamos aqui para elu, que é bem-vinde para nos contar ou pedir qualquer coisa e que o iremos verificar periodicamente para manter o controle e a saúde mental delu”, afirmou Sandy.

A abordagem da mãe é apoiada pela “American Psychological Association”, que descobriu que crianças cujas identidades de gênero são afirmadas e apoiadas podem ter resultados significativamente melhores em sua saúde mental.

Infelizmente, esse apoio não foi compartilhado pelos mais próximos, e os pais foram forçados a proteger o filhe da intolerância de alguns dos familiares. “Meu marido e eu suportamos a maior parte da reação dos membros da família, cujo peso provém de nossas respectivas matriarcas, que gastam quantidades notáveis ​​de energia mental para comunicar que não acreditam que M saiba quem é”, explicou a mãe.

“A quantidade de energia emocional que gastamos para garantir a autonomia delu é certamente mais do que eu previa, mas levarei milhares de chicotadas se isso finalmente der a ‘M’ a oportunidade de existir em paz, exatamente como elu é. Não deveria haver limite para garantir que nosso filhe seja tratado com respeito e bondade, independentemente do sexo.”

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“M” agora tem uma sólida compreensão de sua identidade de gênero e entende que, dentro dos limites de sua casa, elu é visto, ouvido, amado e aceito. Mas essa, ressalta Sandy, foi a parte mais fácil. “O que exige um trabalho real é convencer os mais próximos de nós de que eles devem fazer o mesmo”, observou.

Nota: No inglês os termos “they” e “them” são utilizados para designar neutralidade de gênero. Para melhor entendimento, na tradução e adaptação desta matéria foi tentando ao máximo substituir a demarcação de gênero existente na língua portuguesa pelos termos “elu”, “delu” e pelo sufixo “e” em certas palavras. Existem muitos debates envolvendo o uso da letra “X” para demarcar o gênero neutro, dentre eles o fato o uso do “X” em certos termos torna incapaz a compreensão por pessoas deficientes que utilizam programas especiais de leitura.

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Today is International Day Against Homophobia, Transphobia & Biphobia and if you didn’t know, now you do. If you accept and validate the LGBTQIA+ community members in your life, I applaud you. If you love and respect the personhood of those who identify outside the binary cishet construct, I thank you. If you yourself are one such community member, you’ll find yourself in good company here, where some of us are queer ourselves, others of us are genderqueer, and all both of us are ever ready to challenge that archaic, myopic notion that gender identity is linked to anatomy, or that anyone ought to ever give a rat’s ass who you like and love. Pick a person, not a side, love the human you see in the mirror, and if the mood strikes you, go on and add a touch of flair with a fine-tipped marker. ✌🏼😘

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