“Sempre soube e senti que era diferente dos outros garotos. Nunca me identifiquei com o masculino e sofria muito com isso”. Foi com estas frases que Carmella iniciou a revelação na Internet de que é uma mulher transgênero.

O tópico que conta sua “saga” viralizou no Twitter alcançando mais de 11 mil curtidas e quase mil retweets. Corajosa, a jovem não teve medo de expor seu processo de descoberta, o que pode ajudar a muitos jovens pelo Brasil, principalmente trans, a terem mais noção e coragem para assumirem sua condição e verdadeiro Eu.

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Como quase todas as pessoas trans, sua infância foi bem difícil: “Desde antes de me descobrir ou perceber quem era, já ouvia piadinhas do tipo: ‘Esse menino é menina’, escondido usava as maquiagens escondida da minha mãe…”, compartilhou a jovem.

E confessou: “Um dos meus segredos eram as vezes em que me trancava em um cômodo com espelho e colocava o pênis entre as pernas para escondê-lo admirando como meu corpo seria perfeito sem aquele detalhe”, contou adiante.

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Vale lembrar aqui que nem todas as mulheres trans tem rejeição com o próprio genital ou enxergam como uma imperfeição, sendo também perfeitamente possível ser uma mulher trans e viver à vontade com seu próprio genital, assim como há homens trans felizes com suas vaginas também, sendo a decisão de cirurgia genital uma necessidade e opção pessoal de cada indivíduo.

Na thread completa, há relatos ainda sobre a tentativa de quando buscou viver de maneira “mais masculina” contra a sua própria identidade, na tentativa de agradar mais o mundo que a si, chegando a se envolver com garotas.

Até que percebesse que não adiantava lutar contra sua própria natureza, não foi fácil. Processos de auto-negação, depressão e até tentativas de suicídio fizeram parte de sua jornada, como também acontece com muitas outras pessoas trans. Felizmente mais segura de si e finalmente admitindo pra si a identidade feminina, foi aí que Carmella percebeu que estava sozinha nesta luta.

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Sem apoio em casa e lamentavelmente rejeitada por sua família, a jovem felizmente conseguiu encontrar acolhimento em uma Casa LGBTQ+ que recebe pessoas LGBTs expulsas de casa por suas família.

Felizmente, lá ela encontrou apoio: “Ganhei uma mãe. A mãe de uma amiga trans, coordenadora de um grupo chamado ‘Mães do arco-íris’. Ela me acolheu muito, se responsabilizou por mim e está me ajudando com tudo. Pela primeira vez na vida, sinto que tenho uma família que me ama como sou”, conta a jovem.

Entre as respostas da thread, há inúmeros comentários elogiosos e de apoio à jovem por ter a coragem de expor e dividir sua saga em busca da auto-aceitação e felicidade.

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“Esta é minha história. Estou compartilhando pra encorajar mais meninas e meninos trans a serem quem são e se amarem como são. Tudo vai ficar bem, assim como está ficando pra mim”, conclui Carmella, que como todas as pessoas trans, merece muito ser feliz.

Como diz a própria: “Sejam vicies, babes! Brilhem!”. Veja aqui sua história completa.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).