O influenciador Stefan usa seu Twitter para discutir principalmente questões relativas a sua vivência como homem trans e preto na sociedade.

Ontem (7), ele fez uma simples questão para seus seguidores que gerou uma discussão com centenas de likes e dezenas de respostas de outros homens trans. A pergunta era simples: “O que você faria se fosse cis por 24 horas?”.

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Pra quem não sabe (sempre tem, né?), pessoas cis (abreviatura de cisgênero) são o contrário de pessoas trans: se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer. 

Sendo cis, eu e você talvez fiquemos na dúvida do que pessoas trans não podem fazer na sociedade, certo? Se já tem direito a alterar nome e gênero nos documentos e fazer suas transições se desejarem… o que mais falta?

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Pois as respostas nos dão uma ideia de quantas coisas extremamente simples e banais uma pessoa trans acaba se privando em situações cotidianas da vida simplesmente por não nascer cisgênero.

Stefan foi o primeiro a responder sua própria pergunta: “Andaria de shortinho de praia sem camisa depois de um mergulho intenso no mar. Sem packer, sem binder, sem preocupação. Só curtição!”

O internauta Gustavo (@gustav0yohan) respondeu: “Nossa, eu ia nadar, ia usar o Tinder pra sair paquerando e usar o banheiro de qualquer lugar, fazer entrevistas de emprego e exames médicos”.

Sim, para pessoas trans tomar sol e usar o banheiro – atos tão banais – sem se preocupar pode ser um privilégio!

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Já Kalel Astre (@hoshikal) foi além. Além de pegar sol sem camisa e usar o banheiro como respondeu a maioria, iria também brincar de pirocóptero. Mas vale aqui lembrar que nem toda pessoa trans necessariamente gostaria de ter um outro órgão genital ou está desconfortável com o seu, ok?

O internauta Dude (@ieiwjieje) falou que adoraria ver sua mãe usando o pronome certo com ele, enquanto Adiel do SUS (@vhsariel) disse que “passaria o dia todo se olhando no espelho e ficaria com o máximo de pessoas possível com sua autoestima lá em cima”.

Scififan (@Scififan) por sua vez falou: “Eu ia mandar mensagem de voz e atender o telefone sem ficar com medo da minha voz ficar feminina! E aproveitaria minhas 24 horas de confiança!”.

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Entretanto nem todos disseram que aproveitariam a cisgeneridade: “Ia querer voltar a ser trans! Não me acostumo com a cisgeneridade nem a pau!”, respondeu CEo of Tsukasa (@TsukasaStan).

Percebe-se pelas respostas como é possível aprendermos como nós, cisgêneros, somos privilegiados, né? A pergunta de Stefan é um exercício simples, porém muito útil, pra nos colocarmos no lugar do outro e criarmos empatia com uma vivência diferente da nossa.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).