Em turnê pela Europa, o rapper Emicida falou em entrevista ao programa francês RFI Convida sobre a falta de inclusão de artistas LGBTs na cena do rap brasileiro.

O assunto se deu ao ser questionado por que chamou Pabllo Vittar e Majur para dividir a música AmarElo, que fala justamente das lutas das minorias frente ao conservadorismo.

“Quando a gente convida Pabllo e Majur para o epicentro da coisa, é para colocar a música rap na frente do espelho e se perguntar: por que não temos mais artistas assumidamente gays? Que tipo de atmosfera a gente construiu que faz essas pessoas se sentirem agredidas na nossa presença?”, questionou o rapper.

Ele ainda fez um paralelo com o momento político atual pelo qual passa o Brasil: “Quando o país tem 13 milhões de desempregados e a preocupação do presidente é impedir que pessoas transexuais tenham acesso a um vestibular especifico para elas, eu acho que a gente precisa lamentar, não rebater. A gente não está retrocedendo: a gente está caminhando rumo ao suicídio coletivo não só do projeto político inexistente desse governo atual, mas da nação como um todo”.

E completou: “Nos últimos tempos, não são só os militantes antirracistas que sofrem com a ascensão da ignorância no Brasil”, sendo muito sensato.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Assista abaixo a entrevista na íntegra:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).