Em uma reflexão inesperada e que pegou muitos de seus seguidores de surpresa, a drag queen e jornalista Ikaro Kadoshi agradeceu o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, por existir. É isso mesmo.

Mas calma. Antes de cancelá-la, não se trata de mais um caso de LGBT minion alienado e cheio de homofobia internalizada. Ufa! Ikaro, de maneira linda e muito sincera, refletiu sobre tudo que revelou a chegada ao poder da figura de Bolsonaro, conhecido há muito tempo por posturas homofóbicas, misóginas e racistas, ao cargo máximo do Brasil.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:
Ikaro surpreende seguidores e agradece Bolsonaro

“Obrigado Senhor Presidente, por nos mostrar quem realmente somos enquanto sociedade brasileira. Se outra pessoa estivesse em seu lugar, tudo seria diferente e definitivamente muito melhor, mas todos os problemas relacionados a convivência social, todos os tipos de preconceitos, todas as relações entre classes, toda falta de empatia, todo diálogo disfarçado de querer sempre ter razão, entre outras coisas, continuariam ‘debaixo do tapete’”, diz Ikaro no início da carta.

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O artista continua lembrando que Bolsonaro fez a máscara do brasileiro tido como tão gentil e educado, cair: “Nós sempre achávamos que éramos um povo cordial, receptivo, feliz, amoroso. Sempre tivemos orgulho de ser um dos povos que mais recebe o outro de braços abertos. E o Senhor mostrou que não é bem assim.

As palavras que queriam sair das bocas sempre ficaram guardadas por muitos, com medo de se mostrarem como são. E o silêncio velado de uma sociedade que se enganou por tanto tempo, e que não sabia mais quem era, terminou.

Como um machucado sarando , o Senhor fez o papel de arrancar o curativo à força, mostrando a verdadeira face da dor, do sangue e da profundidade do corte”.

Em seguida, ele segue falando sobre o momento que vivemos: “Vivemos a fase onde desacreditamos que tantas pessoas pudessem pensar coisas que vão de encontro a evolução humana. Quantas surpresas não? Quantos conhecidos ‘gente boa’ que pensam que os diferentes dele vale menos, devem morrer. Não merecem ser ouvidos.

A gente ia se curar, não se preocupe, só ia demorar mais.

Mas como em determinadas feridas, é preciso machucar de uma vez, mostrar sua extensão, entender onde atuam e que partes prejudicam para, assim, começar a curar direito. E a dar o remédio correto”, reflete.

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E por fim, Ikaro conclui: “Podem falar o que for, mas te agradeço pela verdade escancarada que trouxe. Dura, muito dura. De um misto de vergonha, incredulidade, e necessidade de luta pela democracia, pelos direitos de TODOS , pela natureza, pela igualdade e pelo fim de qualquer tipo de preconceito – que reinou ora quieto, ora falante nesse país por muito tempo. E principalmente pela necessidade de uma educação que ensina, mas principalmente liberta”.

Entre os seguidores, as mensagens foram de apoio e entendimento ao que Ikaro quis dizer: “Descobrimos a verdade, trouxe à tona o pior do brasileiro. Triste, mas real.”, “Que maravilhoso, é isso que eu vejo! As máscaras caídas no chão! E o povo conhecido pela sua felicidade, nada mais são que intolerante, egoístas, racistas…..” e “Você verbalizou tudo que eu estava sentindo e tentando explicar para as pessoas ao meu redor!” foram alguns dos comentários.

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Veja abaixo o post na íntegra:

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Obrigado, Bolsonaro! Sim, você leu certo. Essa é uma carta de agradecimento. Refletindo aqui, e sendo justo, preciso agradecer a ÚNICA coisa positiva desde a eleição para mim. Obrigado Senhor Presidente, por nos mostrar quem realmente somos enquanto sociedade brasileira. Se outra pessoa estivesse em seu lugar, tudo seria diferente e definitivamente muito melhor, mas todos os problemas relacionados a convivência social, todos os tipos de preconceitos, todas as relações entre classes, toda falta de empatia, todo diálogo disfarçado de querer sempre ter razão, entre outras coisas, continuariam 'debaixo do tapete' . Nós sempre achávamos que éramos um povo cordial, receptivo, feliz, amoroso. Sempre tivemos orgulho de ser um dos povos que mais recebe o outro de braços abertos. E o Senhor mostrou que não é bem assim. As palavras que queriam sair das bocas sempre ficaram guardadas por muitos, com medo de se mostrarem como são. E o silêncio velado de uma sociedade que se enganou por tanto tempo, e que não sabia mais quem era, terminou. Como um machucado sarando , o Senhor fez o papel de arrancar o curativo à força, mostrando a verdadeira face da dor, do sangue e da profundidade do corte. Vivemos a fase onde desacreditamos que tantas pessoas pudessem pensar coisas que vão de encontro a evolução humana. Quantas surpresas não? Quantos conhecidos 'gente boa' que pensam que os diferentes dele vale menos, devem morrer. Não merecem ser ouvidos. A gente ia se curar, não se preocupe, só ia demorar mais. Mas como em determinadas feridas, é preciso machucar de uma vez, mostrar sua extensão, entender onde atuam e que partes prejudicam para, assim, começar a curar direito. E a dar o remédio correto. Podem falar o que for, mas te agradeço pela verdade escancarada que trouxe. Dura, muito dura. De um misto de vergonha, incredulidade, e necessidade de luta pela democracia, pelos direitos de TODOS , pela natureza, pela igualdade e pelo fim de qualquer tipo de preconceito – que reinou ora quieto, ora falante nesse país por muito tempo. E principalmente pela necessidade de uma educação que ensina, mas principalmente liberta. Refaz… (Continua no comentário…)

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).