Que a edição 2019 da Parada LGBT de São Paulo foi um sucesso, disso não restam dúvidas. Como confirmado pela Secretaria de Turismo da Prefeitura de São Paulo, o evento cresceu 40% e gerou impacto de mais de 400 milhões de reais na economia da cidade, estimulando renda e turismo, além de reunir mais de 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista no último dia 23 de junho.

Uma das novidades dessa edição foi a criação de um camarote, nos moldes de como acontece já de praxe no carnaval de Salvador há muitos anos.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Através de um ingresso, era possível (a quem podia) desfrutar de uma vista privilegiada de cima do Conjunto Nacional, onde se via todos os trios passando, além de contar com toda estrutura, conforto, comida e bebidas à vontade durante todo o dia. Isso sem falar em shows exclusivos, como o da cantora Daniela Mercury e a presença de DJs famosos da noite paulistana.

Na Internet houve quem – sem tirar a razão aqui – problematizasse a iniciativa por gerar uma certa segregação das pessoas em um evento público como a Parada LGBT (como acontece como em qualquer grande evento, vide reveillons e carnavais afora pelo Brasil e mundo), ainda assim, o Camarote Pride foi um sucesso e teve 100% de seus ingressos vendidos e um público que saiu já prometendo voltar na próxima edição.

O que muita gente não sabe é que o Camarote Pride foi além do pink-money gerado e se preocupou também em ajudar a causa LGBT, algo importante e louvável já que nem todas as marcas e iniciativas que lucram com a causa LGBT tem esse bom senso.

Sabendo da importância de se investir na empregabilidade trans, uma população tão excluída e marginalizada do mercado de trabalho formal, não à toa, havia homens e mulheres trans entre os funcionários.

De barman a DJ, de recepcionista a produtor, de segurança ao credenciamento, da limpeza à organização… O time de funcionários era em parte exclusivamente trans, vindos ao Camarote Pride através do Projeto Transmissão, que insere no mercado de trabalho de eventos, homens e mulheres trans.

“A comunidade trans precisa de apoio para conseguir emprego e colocação no mercado. O Transmissão é voltado para estas pessoas em vulnerabilidade. Quem tiver uma festa e precisar de organização e toda estrutura, divulgação, limpeza, pode contar conosco!”, disse Rubi de la Fuente, criadora do projeto. Conheça mais do Projeto Transmissão em https://www.instagram.com/trans_missao/

Além disso, parte do lucro da renda do Camarote Pride foi revertido em doações para a Casa Brenda Lee, uma ONG LGBT que promove a integração e educação social de crianças e pessoas independente de gênero, sexo ou raça, em especial as que sofreram abuso sexual, com serviços de aconselhamento, psicológicos, jurídicos, educação, encaminhamentos e intervenção em defesa das vítimas.

Sendo assim, é importante ressaltar aos críticos de plantão, que sim, o mundo é capitalista e infelizmente existe uma segregação social e um verdadeiro abismo entre as pessoas principalmente em países desiguais como é o caso do Brasil. Isso é realmente lamentável e devemos lutar para pelo menos tentarmos diminuir tanta desigualdade.

Mas esta problemática não é uma exclusividade LGBT e não somos nós que vamos mudar todo o mundo ou fazer essa roda do capitalismo parar de girar… Portanto, se ela pelo menos puder girar a nosso favor e estas iniciativas de algum modos puderem nos ajudar, que sejam bem vindas, como já é o caso de tantas ONGs LGBTs que conseguem se manter não apenas por doações, mas também ajuda de empresas tão lucrativas e capitalistas quanto.

Foto em destaque, créditos: @celiasantosfotos

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).