Basta conhecer a vivência de quase qualquer pessoa transexual pra saber que a não identificação com o gênero que lhes é atribuído ao nascer, costuma ser algo que se manifesta desde muito cedo na vida, já nos primeiros anos.

Não à toa, para a esmagadora maioria dos transgêneros, a pré-adolescência e adolescência – justamente quando o corpo começa a se desenvolver em um sentido contrário do gênero com o qual se identificam – costumam ser fases de muito sofrimento, sensação de não pertencimento e até depressão. Prova disso é o índice de depressão e suicídio entre pessoas trans na juventude chega a ser até 8 vezes maior do que entre o restante da população.

Pois bem. A história de Eduardo, que vive em Pindamonhngaba, no Estado de São Paulo, felizmente é diferente. Nascido e reconhecido em um corpo biologicamente feminino desde pelo menos 3 anos de idade, o garoto conseguiu na justiça – com ajuda dos pais que felizmente foram atrás de estudar e compreender a condição de transgênero do filho também diagnosticada clinicamente – o direito a já poder nesta idade corrigir seu gênero e nome nos documentos.

Segundo a entrevista do G1 com a mãe, Regina Freitas, a mudança foi um pedido do próprio Eduardo assim que soube da possibilidade.

O menino, que antes era chamado de Maria Eduarda, se identifica já há quatro anos como masculino, usando nome social na escola e entre pessoas próximas.

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A mãe contou à reportagem que Eduardo já deixou claro sua natureza masculina aos quatro anos, quando passou a se recusar a usar as roupas femininas, a ser chamado pelo nome de batismo e a questionar os pais do motivo de ter nascido uma menina. A família buscou ajuda médica e profissional para se informar e saber o que estava acontecendo. Foi quando passaram a dar espaço para que ele decidisse sobre o que vestir e como se portar.

“Ele é um menino bem resolvido e a situação só nos uniu e ensinou sobre a tolerância, sobre o respeito. É uma luta diária por ele, mas a gente não se prende ao que as pessoas vão pensar. Meu filho precisa ser feliz”, disse a mãe.

Os pais contam que a dificuldade de lidar com a escolha não foi em casa, mas fora dela. Já aos oito anos ele era alvo de situações de preconceito e isso se acentuava com a falta de reforço da identidade, com um nome não compatível com a posição.

“Agora quando eu for ao médico, por exemplo, vou ser chamado pelo meu nome, pelo que eu sou”, disse o menino feliz. “A cara de felicidade de alguém que teve seus direitos respeitados”, escreveu a mãe do garoto comemorando a decisão nas redes sociais.

Veja abaixo o post no Facebook onde a família apoia e comemora a decisão da Justiça. A publicação vializou alcançando milhares de compartilhamentos e interações:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).