A cidade de Somerville, Massachusetts (EUA), aprovou uma portaria legal de parceria doméstica que inclui relacionamentos poliamorosos. De acordo com o “The Boston Globe”, o Conselho da Cidade aprovou a lei por unanimidade no dia 25 de junho, e o prefeito Joseph Curtatone assinou a lei na última segunda-feira, 1 de julho.

A portaria permiti que parceiros registrados tenham o direito de visitar um ao outro no hospital, uma preocupação recorrente durante a pandemia de coronavírus. Além disso, funcionários públicos em relacionamentos poliamorosos registrados serão capazes de incluir todos os parceiros nas políticas de seguro de saúde. No entanto, fica a critério dos empregadores privados decidirem se estendem a cobertura a todos os companheiros.

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Ao contrário de outras cidades da região, Somerville não tinha uma lei de parceria doméstica. Tais medidas foram generalizadas, especialmente nas cidades liberais, como uma maneira de reconhecer os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo antes da aprovação da igualdade matrimonial em todo o país, graças à decisão da Suprema Corte dos EUA de 2015. Em 2004, Massachusetts se tornou o primeiro estado a reconhecer o casamento igualitário.

O vereador Lance Davis contou ao “The Boston Globe” que quando estava prestes a apresentar a nova medida percebeu que “simplesmente não parecia certo”. Davis procurou a opinião de seus colegas e o conselheiro JT Scott sugeriu que ele incluísse relações entre mais de dois adultos.

Os relacionamentos reconhecidos pela norma não precisam ser românticos ou sexuais. “As pessoas vivem em famílias que incluem mais de dois adultos para sempre. Aqui em Somerville, as famílias às vezes parecem ter um homem e uma mulher, mas às vezes parece que duas pessoas no quarteirão pensam que são irmãs porque viveram juntas desde sempre, ou às vezes temos tia e tio, ou uma tia e dois tios, criando dois filhos”, afirmou Scott ao The New York Times.

Scott ainda conta que está recebendo ligações de pessoas interessadas em trabalhar para essa lei chegar a nível estadual e federal.

O vereador Lance Davis afirma ter recebido feedbacks positivos sobre a ordenança: “Recebi um e-mail de alguém da minha igreja que dizia: ‘Uau, isso é incrível. Muito obrigado por fazer isso'”, contou.

Contudo, é provável que a medida provoque a reação de grupos de direita ou de companhias de seguros que não querem cobrir mais de um parceiro, conforme observa o The New York Times.

Andy Izenson, advogado do Chosen Family Law Center, instituição que atende famílias não tradicionais, também observa que a medida pode simplesmente passar despercebida. “Quando uma área faz algo que serve como teste, e os legisladores vêem que a cidade ou município não teve uma implosão de guerra cultural, é assim que as coisas se espalham”, afirmou.