O jogador trans de futebol Marcelo contou ao UOL como foi seu processo de transição até se aceitar enquanto homem trans. 

“Fui entender o que acontecia comigo em 2015, quando comecei a ler sobre transexualidade. Até pra gente que passa por isso, tudo é um aprendizado. Não é de uma hora para a outra que tudo muda. É gradativamente que vai te incomodando. Até chegar uma hora que tudo incomoda, e aí não dá mais pra aguentar”, relata Marcelo.

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Marcelo foi jogadora de futebol até 2019, jogou pelo time feminino do Corinthians, por que foi campeão brasileiro em 2018. Em 2019 decidiu fazer tratamento hormonal para que seu corpo pudesse parecer mais com a forma como ele se enxergava: um homem. Marcelo também já jogou Futsal e ganhou e foi três vezes campeão mundial, além de ter jogado a Champions League por um time da Sérvia.

O jogador conta ter recebido o apoio da família, embora eles ainda o chamem no feminino, mas Marcelo diz ser “de boa quanto a isso (nome) porque eu tive meu tempo pra entender, então não quero que seja nada forçado. Você fica 31 anos usando pronome feminino aí você vai mudar do dia para a noite? Até mesmo pra mim às vezes sai”.

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Em 2020 Marcelo já trocou o RG e agora vai começar de fato o procedimento hormonal. “O que me incomoda mais atualmente ainda é a voz, o peito. As características mesmo. Ainda estou no início do tratamento hormonal, as mudanças vêm aos poucos”.

O atleta conta que não vai desistir dos gramados e quer realizar outro sonho: o de ser um jogador de futebol. “Se eu achar que tenho condição de render e de jogar em alto nível no futebol masculino, vou tentar”, afirma.

Durante a entrevista, Marcelo conta que as crises de depressão o levaram a se cuidar e iniciar a transição. “Por um momento, eu quis esperar o momento de parar de jogar para fazer a transição e o tratamento hormonal. Era complicado abdicar de uma carreira quando eu estava no auge. Mas aí, nessa recaída, eu entendi que não dava para ter as duas coisas ou eu seria realizado pessoalmente ou seria realizado profissionalmente. As duas coisas já não encaixavam mais”.