A diretora-executiva do YouTube, Susan Wojcicki, pediu desculpas à comunidade LGBT nesta terça-feira (11) pela resposta que sua empresa deu à queixa feita por um usuário sobre conteúdos homofóbicos na plataforma.

“Eu sei que a decisão que tomamos foi muito dolorosa para a comunidade LGBT, e essa não foi a nossa intenção. Acho que é importante deixar isso claro. Pedimos perdão por isso”, disse Wojcicki, ao ser perguntada sobre o tema na Code Conference, um evento realizado no Arizona, Estados Unidos.

Durante a entrevista ela foi questionada a respeito das recentes mudanças na política de conteúdos permitidos na plataforma, que deletou vídeos extremistas, mas não considerou ofensivos ( e nem sequer apagou do canal) conteúdos racistas e homofóbicos publicados por um youtuber de extrema-direita contra um jornalista na plataforma.

Susan Wojcicki, pediu desculpas à comunidade LGBT nesta terça-feira(11)

A pergunta foi direta: “Você pede desculpas por tudo que aconteceu com a comunidade LGBTQ? Ou apenas sente muito que ela foi ofendida?”. Wojcicki pediu desculpas várias vezes, inclusive a nível pessoal, e afirmou que o YouTube apoia a comunidade LGBTQ de criadores de conteúdo, inclusive com campanhas a respeito.

“Foi ainda mais difícil porque veio de nós, porque nós temos sido uma casa tão importante”, afirmou. Entretanto, a decisão de manter esses conteúdos será mantida e analisada individualmente. Temos que ser consistentes de um ponto de vista das nossas políticas. Se derrubarmos aquele conteúdo, então haveria muito mais vídeos que teríamos que derrubar. Não queremos apenas nos dobrar a isso, queremos pensar nisso de uma forma bastante flexiva”, afirmou.

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Por fim, Wojcicki ainda disse que novas mudanças nas regras sobre discurso de ódio podem “ser benéficas para a comunidade LGBTQ” e que conteúdos serão tirados do ar caso ultrapassem os limites. Vale lembrar que o YouTube também encarou outro problema por causa dos banimentos: canais educativos foram prejudicados sem querer pelo algoritmo.

Entenda o caso

A polêmica foi em maio, quando o jornalista Carlos Maza, do portal “Vox”, denunciou no Twitter, através de vídeos do YouTube, que o comentarista conservador Steven Crowder fazia repetidos insultos a ele em seu programa devido à sua orientação sexual e origem latina.”Me chamou de ‘bebê âncora’ (termo pejorativo usado para filhos de imigrantes que nascem nos Estados Unidos), queer com sigmatismo, mexicano, etc. Estes vídeos recebem milhões de visualizações no YouRube. A cada vez que um deles é postado, eu acordo com infinitos abusos homofóbicos e racistas no Instagram e no Twitter”, afirmou Maza.

A resposta do Youtube, naquele momento, foi que os vídeos de Crowder “não violam” os termos de uso, já que, como plataforma, o efeito “crucial” para eles é que “todo mundo, de criadores a jornalistas e apresentadores de TV, possam expressar suas opiniões” dentro dos limites de regulamento interno do site. Esta decisão gerou um grande número de queixas e mensagens de decepção da comunidade LGBT na internet, que garantia que com essa resposta o YouTube estava admitindo que permitia o assédio a uma pessoa por causa de sua orientação sexual.