De forma geral a homossexualidade e a religião são coisas totalmente incompatíveis. Muitos religiosos não só são contra como a criminalizam. Mas para o reverendo Sérgio Ferreira, a essência do casamento que deve ser o respeito, o amor e a fé independe de gênero e de orientação sexual, e por isso defende e realiza cerimônias de casamento gay.

Casamento Gay: Sacerdote defende que “O que vale é o amor”
“Se os dois se amam e vem pedir a benção de Deus, mais direito tem eles de receber do que eu de dar” | Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Se os dois se amam e vem pedir a benção de Deus para o casamento, mais direito tem eles de receber do que eu de dar”, diz o religioso do litoral de São Paulo que é membro da diocese da Igreja Anglicana de Santos.

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No passado, a igreja cristã já permitiu o extermínio dos índios, dos negros [com a escravidão] e agora permite o extermínio dos homossexuais. É preciso ter uma real conversão a Jesus Cristo, porque ele não prega o ódio. Por isso, não acreditamos que ser gay seja um pecado. Essa é a pessoa e temos que aceitá-la. Isso não te faz pior do que ninguém“, diz ele.

O reverendo ainda argumenta: “Primeiro porque sempre existiram casais homoafetivos e porque acredito ser importante ressaltarmos qualquer manifestação de amor, uma vez que essa é a mensagem principal de Jesus Cristo e estamos vivendo um momento de muito ódio”.

De acordo com reportagem do Portal G1, Sérgio ainda explica que o primeiro bispo assumidamente gay dos Estados Unidos é anglicano. Como um sacerdote gay, ele defende que Deus ama as pessoas do jeito que elas são e que elas não são uma abominação, tendo direitos como qualquer outra pessoa.

Sergio conta que já realizou dois casamentos homoafetivos. Um deles, foi a cerimônia religiosa entre dois idosos, que estavam há 25 anos juntos, casados com o reconhecimento da Justiça, mas que ainda não tinham tido o direito de casar na igreja. O outro foi de duas mulheres, em Guarujá, no litoral paulista.

O casamento realizado pelo religioso é anglicano, então é preciso que haja toda um preparação de acordo com a religião. “Não é necessário se converter, mas é preciso ter o acompanhamento religioso e é preciso ter uma adesão a religião. Pretendo fazer mais casamentos, claro, afinal, Deus é amor”, finaliza.

Em junho de 2018, após mais de 20 anos de discussões, uma assembleia realizada em Brasília por bispos e clérigos das dez dioceses da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil aprovou o casamento entre duas pessoas, independentemente do gênero, por 57 votos a 3.