A carta aberta de um cliente gay (mais um, né?) para a rede de academias Smartfit, na qual ele é matriculado, acabou viralizando na Internet e sendo alvo de defesas e ataques por internautas.

No texto, o rapaz questiona a recente atitude adotada pela empresa, que colocou em seus vestiários um botão que não passa de um alarme “anti-banheirão”. Pra quem não sabe, “banheirão” é a prática de pegação entre homens em banheiros ou outros espaços públicos.

O polêmico “banheirão” é uma prática que começou no século passado, quando ser gay ainda era proibido e os banheiros públicos acabavam sendo o único local onde homens conseguiam se encontrar com alguma discrição e intimidade, longe dos olhares julgadores da sociedade, que na época sequer toleraria um casal gay de mãos dadas, e mesmo se este quisesse fazer sexo, não seria aceito nem dentro de casa e nem em um motel. Imagina, só?

Mas voltando à carta do rapaz que não assina seu nome, mas fez o texto polêmico para a rede de academias, que viralizou na web.

Em seu desabafo, o antropólogo e barista (como se descreve em seu perfil na rede Medium) questiona a maneira moralista e infantil como homens adultos são tratados através do dispositivo que mais se assemelha a um alarme de escola, e principalmente, a hipocrisia e dedos em se falar de um assunto que poderia ser abordado mais diretamente e naturalmente, como de fato é: o sexo.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

“Cara SmartFit, sabe o botão? Você sabe, o botão pra condutas inapropriados? Você sabe, vai: não são condutas inapropriadas, vamos falar com todas as letras, é SEXO ENTRE HOMENS NAS DEPENDÊNCIAS DO LAVABO”, diz ele já no início de seu texto pronto pra começar a explicar seu ponto de vista.

Ao longo do texto se percebe que sua questão não é necessariamente defendendo ou atacando o banheirão, mas sim a maneira como a empresa se posiciona perante o problema.

Como disse o autor: “criando um ambiente constrangedor, policialesco, de hiperfiscalização entre os corpos. Um regime de instauração do medo sobre o gesto, uma verdadeira tristeza, inclusive para os héteros, que são instados a atuarem no pior de seu papel socialmente chancelado de juízes da norma”, como diz ele. Afinal de contas, existe um alarme só para a conduta “inapropriada” entre dois homens, né? Ou um abuso heterossexual ou assédio que ocorresse nas dependências teria o mesmo tratamento público com alarmes preventivos espalhados pelas paredes e aparelhos?

Polêmico! Agora, sem moralismo – estando ele certo ou errado – o texto na íntegra rende reflexões, né? Vivemos em uma sociedade que ainda trata tudo relacionado ao sexo como errado ou tabú. Não consegue sequer ser explícita em uma solicitação simples de conduta… Ao mesmo tempo, males reais e que (estes sim!) não são naturais como o sexo, como a violência, por exemplo, são plenamente aceitos e vistos com uma normalidade e banalidade que o sexo em si (que deveria ser banal ou natural!) não é… Com perdão do trocadilho: profundo o questionamento do autor, né?

Na Internet, a carta viralizou tendo milhares de curtidas e compartilhamentos nas principais redes sociais, perfis e páginas gays da Internet brasileira.

As opiniões variam bastante, mas a maioria condena o texto do rapaz e a prática do banheirão como se ele não pudesse sequer questionar o dispositivo de alarme espalhado pelos vestiários da academia afim de se alertar as possíveis (e vexatórias, segundo o alarme) pegações entre homens.

Confira na íntegra a carta e tire suas próprias conclusões. Depois volta aqui e diz o que você achou nos comentários pra a gente debater!

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).