Eu já disse que sou noveleiro e pronto.

A personagem de Glamour Garcia na novela das 21 horas é trans e, agora está envolvida num dilema desses de novela mesmo.

Seu par, Pedro Carvalho, é um ator português já conhecido dos brasileiros de outras tramas. 

Mas, o dilema é o seguinte: desde o primeiro momento o confeiteiro, personagem do ator, se encantou pela contadora da fábrica, personagem da atriz e, agora parece que ela está ficando apaixonada por ele. O romance ainda não engatou porque ele não sabe que ela é trans e ela está agora (já apaixonada), com medo de contar que é uma mulher trans.

Já tratei aqui sobre isso num artigo sobre o nome social das pessoas trans e, assim como na vida real, a personagem tem documentos com seu nome feminino, equivalente ao seu gênero. 

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Durante algumas cenas entre o casal, muito embora ele seja um fidalgo português, é fato que seus comentários homofóbicos não a agradaram em nada e aumentaram seu medo sobre a revelação.

As pessoas da fábrica, que trabalham com os dois, sempre souberam mas, o gajo parece que se fez de cego e nem tem ideia de que a amada é uma mulher trans.

O problema tratado na novela, é um dilema diário de milhares de pessoas trans: quando a pessoa não percebe sozinha, como contar?

O direito a ser identificado como transgênero é inato, ou seja, vem do direito natural e depende somente do indivíduo. Ele decide e a lei o acolhe. Mas, a sociedade, nem sempre acolhe com a mesma boa vontade que o direito. 

Saiba sempre que o indivíduo trans deve ser tratado com respeito como qualquer outro cidadão da sociedade e não porque ele é trans. Ele tem o direito de ser como qualquer outra pessoa, ser o que quiser. 

Nós já sofremos o suficiente com homofobia para sabermos que a ninguém é dado o direito de julgar a outra pessoa por sua condição. Novamente volto ao termo condição porque entendo que isso não é uma opção nossa. É uma condição, nascemos assim e simplesmente somos assim, assados, fritos ou cozidos mas, simplesmente somos.

E, quando eu me refiro à homofobia, digo que ela não vem somente de fora da comunidade. Dentro também há quem não seja lá muito afeito aos transgêneros.

Bibi, homofobia ou transfobia é crime que pode ser cometido por qualquer um, seja hétero ou não. Fique atento porque quem tem telhado de vidro deve tomar mais cuidado ainda com as pedras que joga no telhado dos outros.