Um ex-comissário está processando a China Southern Airlines por demiti-lo depois que sua orientação sexual foi tornada pública ao publicarem um beijo gay sem seu consentimento no ano passado.

Um vídeo que mostra o beijo gay do ex-funcionário vazou nas redes sociais chinesas em outubro de 2019. O homem, de sobrenome Chai, que se recusa a usar seu nome completo em aparições na mídia, levou o caso a um tribunal na cidade de Shenzhen, no sul da China.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Segundo o APNews, desde que o vídeo apareceu, a companhia aérea suspendeu Chai por seis meses e cortou seu salário, disse o advogado de Chai, Zhong Xialu. Chai disse que recebeu cerca de 10% de seu salário enquanto estava suspenso. A companhia aérea também se recusou a renovar seu contrato, que era um negócio de cinco anos que estava para ser renovado em abril deste ano.

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Chai, que trabalhava para a companhia aérea desde 2015, disse que estava triste por perder um emprego que amava: “Não quero que mais ninguém como eu seja tratado desta forma. Acho que realmente represento um trabalhador muito comum, mas apenas aquele que por acaso é uma minoria sexual”, disse ele.

“Eu entendo o que significa para mim ir contra uma empresa tão grande, lutar pelos meus direitos”, acrescentou. “Isso significa que nunca mais poderei fazer o trabalho que amo, pelo menos não na China”.

Indivíduos LGBT na China ainda enfrentam discriminação generalizada e muitos não revelam sua orientação sexual em seus locais de trabalho por medo de que isso possa afetar sua carreira.

Chai já havia levado o caso à arbitragem como uma disputa trabalhista, mas o tribunal de arbitragem decidiu a favor da companhia aérea em agosto. Ele então decidiu levar sua disputa ao tribunal. Na segunda-feira (26) ele compareceu a um tribunal de Shenzhen para argumentar que a empresa havia violado as leis trabalhistas ao suspendê-lo sem evidências razoáveis.

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A China Southern é propriedade direta do governo. Representantes do departamento de relações públicas da empresa não foram encontrados para comentar. “Uma empresa deste porte e sua atitude em relação às minorias sexuais realmente representam o ambiente de trabalho na China”, disse Zhong, o advogado.

Beijo gay já foi causa de outras demissões na China

Em setembro de 2018, um professor de pré-escola na cidade costeira de Qingdao processou seu ex-empregador depois que ele foi forçado a deixar o emprego quando foi divulgado nas redes sociais um beijo gay seu em ocasião de festa. Ele ganhou o caso, mas apenas como uma disputa trabalhista.

“A China não tem uma lei antidiscriminação e não tem uma lei antidiscriminação no local de trabalho”, disse Peng Yanzi, diretor do L.G.B.T. Rights Advocacy China, um grupo ativista. “Portanto, quando muitas pessoas são confrontadas com discriminação no local de trabalho, elas basicamente não têm nenhuma lei em que confiar.”