Banheiros onde o gênero da pessoa não importa vem sendo testados já em diversas instituições de ensino do Brasil. Foi o que revelou uma matéria da Folha de São Paulo.

A Universidade Federal do Piauí foi uma das que testou a iniciativa. Uma placa informativa e bem humorada na porta dos banheiros dizia: “Banheiro Unissex, pois todo mundo usa o banheiro pelos mesmos motivos, né?”.

A atitude dividiu opiniões e gerou uma guerra entre os estudantes contra e a favor da medida.

A intenção foi favorecer uma discussão de inclusão no espaço público compartilhado e evitar o constante constrangimento ao qual são submetidos alunos transgêneros das instituições, sempre alvo de preconceito em qualquer um dos banheiros.

A placa chegou a ser destruída por estudantes contra a medida. Foi quando estudantes a favor pintaram o aviso na porta do banheiro.
Após a confusão inicial, não houve mais problemas: “A situação se acalmou. Todos já sabem como funciona”, disse o diretor Luis Carlos Sales.

A decisão não foi arbitrária. Ela vem de uma resolução de 2015 do Ministério da Educação, que estabelece que pessoas (cis ou trans) tem o direito a usar o banheiro de acordo com sua identidade de gênero. Não é lei e nem obrigação, mas cada vez mais a decisão norteia políticas da área.

Algumas instituições implementam a medida a pedidos de alunos transexuais. Outras acabam só fazendo alguma coisa quando há denúncia de agressão a alunos trans nos banheiros.

Na Universidade Federal do Tocantins foi assim: “Tomamos a decisão depois de alunos heterossexuais (cis) virem reclamar. Alunas evangélicas chegavam chorando dizendo que ‘tinha homem’ nos banheiros’. Resolvemos a situação tornando os banheiros unissex.”, disse o diretor do campus, José Ribeiro.

Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte felizmente não houve qualquer problema. Foi a matrícula de uma aluna trans que trouxe a questão a tona e nenhum aluno reclamou: “Encontrei uma instituição que respeitou minha dignidade”, disse a aluna trans Patrícia Targino Dutra, de 30 anos, que lembrou que a situação é uma surpresa: “Principalmente por se tratar de uma escola no sertão nordestino onde ainda predomina o machismo!”

Em São Paulo, a PUC teve alguns problemas a princípio entre alunos que concordavam e discordavam principalmente nas redes sociais, mas em pouco tempo a questão deixou de ser debatida e tudo correu tranquilamente.

Em 2016, após alunas heterossexuais cis agredirem uma aluna transexual no banheiro, a USP estabeleceu que os banheiros da Faculdade de Filosofia, Letras e Cieências Humanas, deveriam ser usados conforme identidade de gênero. A decisão ainda não se estendeu as outras unidades entretanto.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).