Em setembro de 2019 um caso levantou, novamente, a questão de segurança da comunidade LGBTQI+ da cidade de São Paulo. Um motorista expulsou o ator Marcello Santanna (23) do ônibus em que estavam e, depois, deu um soco em seu rosto.  A agressão, que aconteceu na zona leste da cidade, foi claramente motivada por homofobia. O mandato da vereadora Juliana Cardoso (PT) tem acompanhado o caso e, por meio da Comissão Extraordinária De Direitos Humanos e Cidadania, vai realizar uma Audiência Pública, no dia 5 de dezembro, com o objetivo de discutir medidas para aliar mobilidade e segurança para a comunidade LGBTQI+ em São Paulo.

Em maio de 2019, o Grupo Gay da Bahia (GGB) divulgou um levantamento que indicava um número assustador: 141 pessoas LGBTQI+ tinham morrido, vítimas de homicídio ou por suicídio, antes do fim do primeiro semestre. Já a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra) realiza um acompanhamento de todas as pessoas trans que foram mortas ao longo do ano. Até o início de dezembro, estavam relacionados 106 casos.

O Brasil é um dos países mais perigosos para pessoas LGBTQI+. Segundo dados da Rede Nossa São Paulo, 420 pessoas morreram, em 2018, vítimas de LGBTfobia no Brasil – sendo que 100 delas cometeram suicídio. Esses números correspondem a uma morte a cada vinte horas. O estudo ainda aponta que morrem mais pessoas LGBTQI+ no Brasil do que em países em que a homoafetividade é considerada um crime cuja punição é a pena de morte.

Em seu levantamento, a Nossa São Paulo identificou que, apesar de a cidade se percebida por seus moradores como mais tolerante do que intolerante à população LGBTQI+, houve queda nesse entendimento de 2018 para cá. Também há o entendimento de que o poder público faz pouco para combater esse tipo de violência. Os paulistanos acreditam que o desenvolvimento de políticas públicas para a promoção da diversidade e a equiparação da homofobia ao crime de racismo são medidas importantes para avançar nesta questão.

Os dados também demonstram que os espaços públicos e o transporte são os locais em que os paulistanos mais sofreram ou presenciaram situações de discriminação pela identidade de gênero ou orientação afetivo-sexual. Nesse sentido, a discussão proposta na audiência se torna ainda mais relevante.  

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Em novembro, dois meses após a agressão ao passageiro do ônibus, a vereadora e membros de seu mandato estiveram em reunião na SPTrans para saber quais medidas estão sendo adotadas para evitar que casos como esse voltem a acontecer. A Audiência do dia 5 é um desdobramento dessa reunião.

Além da vereadora Juliana Cardoso, foram convidados a participar da Audiência, Ricardo Dias, coordenador de Políticas LGBTI da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC); Laura Maia, superintendente de Recursos Humanos da SPTrans; Albino da Rocha, chefe de gabinete da presidência da SPTrans; Isadora da Silva, defensora pública coordenadora; Anna Yaryd, do Ministério Público; Marina Ganzarolli, presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB; Carolina Laterza, da Rede Nossa São Paulo e Marcello Santanna, ator que sofreu a agressão do motorista de ônibus em setembro deste ano.

Audiência Pública Comissão Extraordinária de Defesa dos Direitos Humanos

Mobilidade e Segurança LGBTQI+ em São Paulo
Data: 5 de dezembro, das 13h às 15h
Câmara Municipal de São Paulo – Viaduto Jacareí, 100
Sala Sérgio Vieira de Melo

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).