Enquanto deixava o festival de música Mighty Hoopla, que acontecia ontem (05) em Londres, Jeff Ingold, um homem gay, foi atacado com pedras por homofóbicos que gritavam insultos na rua.

Leia o relato de Jeff, contado ao GayStarNews em que ele fala de maneira emocionante e muito honesta sobre a violência sofrida, suas reflexões, e ainda, um recado para a comunidade LGBT como um todo:

“Ontem a noite, eu estava caminhando até uma loja de departamentos com alguns amigos quando passamos por um grupo de adolescentes na rua. Tínhamos acabado de chegar do festival de música Mighty, um evento bastante gay. Por isso, estávamos usando roupas coloridas e cheios de glitter. Era minha camiseta rosa mais linda!

Dois rapazes deste grupo pelo qual passamos atiraram pedras na minha cabeça. Fiquei chocado, magoado, enfurecido. Não apenas pelo que aconteceu, mas porque eu estava com outras pessoas que também foram vítimas de agressões, vergonha e humilhação. Eu queria fugir, ficar sozinho e chorar.

Ao invés disso, levantei, fomos até a loja, pegamos o que precisávamos e voltamos pra casa. Foi no caminho de volta que passamos por um outro grupo de caras que começaram a nos xingar e dizer que devíamos ser mortos.

É difícil colocar em palavras ser atacado por ser você mesmo, por existir. É humilhante e desumano.

O mais difícil é aceitar este tipo de coisa esperando que isso mude algum dia. Parece uma consequência inevitável de se viver em uma sociedade que entende a heteronormatividade como regra. A violência ainda é um risco da vida gay. É 2018 e as pessoas não conseguem ser melhores?

Também tenho consciência de que, como homem branco e cisgênero, ainda tenho privilégios mesmo assim, o que me proporciona proteção maior do que outras pessoas da comunidade LGBT. Tenho a sorte de no dia-a-dia estar rodeado por uma família e amigos que me amam e me defendem.

Pessoas LGBT ainda não estão livres para serem elas mesmas. O que aconteceu ontem foi só uma lembrança dolorosa do fato de que, mesmo no centro de Londres em 2018, ser LGBT ainda é um risco. Precisamos muito ainda reafirmar nosso Orgulho.

Este ódio e violência deve unir nossa comunidade. Acho que as vezes podemos nos acostumar com o progresso já adquirido. Não podemos. Somos bonitos, fortes, diversificados. Todos os dias tenho orgulho em fazer parte desta comunidade. Mas ainda estamos sob ataque. Se pudermos ser mais gentis entre nós, nos apoiarmos, não há nada que não possamos conquistar juntos.”

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).