Logo após Pabllo Vittar manifestar sua justa indignação em relação ao empresário catarinense Victor Vicenzza, que fabrica calçados usados por boa parte do público LGBT, principalmente drags e mulheres trans, foi a vez de mais uma personalidade do meio se manifestar contra o empresário: a cantora e drag queen Gloria Groove.

“Uma marca de sapatos muito popular entre as drag queens e as travestis apoiando um candidato homofóbico. Jesus está voltando! Os sinais estão se cumprindo! E você, está pronto?”, ironizou a cantora em seu Instagram.

Como todos nós, Gloria se disse decepcionada com a falta de noção e empatia do empresário – que sempre teve lucro e recohecimento do meio LGBT – por declarar apoio a quem sempre se disse contra nós.

“Sensação de frustração? Sim. Decepção? Com certeza. Lamentável? Muito. Mas sabe o que é pior? Eu não aguento mais ter que viver para boicotar as coisas e as pessoas de que gosto. Lembra muito quando sou obrigada a boicotar os rappers dos quais eu gosto porque têm atitudes homofóbicas. É aquela sensação de surra de mãe, sabe? Dói mais em mim do que em você ter que te boicotar, mas é para você aprender”, desabafou Gloria.

Em entrevista ao UOL, Gloria lembrou que não se trata só de um boicote por pares de sapatos, mas por toda representatividade LGBT.

“Se você tem um público-alvo ou uma comunidade que te apoia e escolhe um representante que considera esta comunidade indigna –ou de segunda classe–, é um contrasenso. No capitalismo podemos escolher para quem estamos dando o nosso dinheiro. Existem sim outras confecções de sapato tamanho grande no Brasil, a demanda é altíssima. Um público cada vez maior, do qual o Victor simplesmente abriu mão”, disse a cantora e drag queem. Para ela, Vicenzza deu um tiro no próprio pé ao apoiar o presidenciável.

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“Nesse momento, este candidato –que já deveria ter sido cassado por seus discursos criminosos, legitima um ódio cotidiano que tem aparecido cada vez mais. Pessoas que não tem mais vergonha de expressar racismo, sexismo, homolesbotransfobia e outras discriminações, simplesmente porque se sentem representadas por este discurso de ódio e intolerância. A trajetória política do candidato mostra inegável perseguição às minorias. Não passarão”, critica.

Algo muito importante, e também lembrado pela drag queen Lorelay Fox no post de Victor Vicenzza no Instagram, é um alerta ao público LGBT sobre o chamado pink money, como também avisou Gloria à reportagem do UOL:

“Assim, lindas: vigia, viu? Que é aquela famosa causa de cifrão, um cifrão bem rosa, assim, brilhante”. Gloria admitiu à reportagem já ter caído neste marketing e orienta seus fãs a pesquisar as marcas a fundo:

“Já caí, é horrível e difícil de identificar. Levei calote, vi gente usando minha imagem em momentos oportunos e até me chamando para trabalhar de graça. Diariamente as marcas e seus prestadores de serviço têm sido denunciados. Uma maneira de identificar o oportunismo é observar a história da marca. Saber se ela tem políticas de inclusão, conhecer a estética do marketing, saber se emprega e paga um contingente da minoria em questão, por exemplo”, ensina.

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).