Freddy McConnell, jornalista do The Guardian e transexual, que deu à luz após um tratamento de fertilidade, não poderá registrar a criança como seu filho, decidiu a Corte Britânica.

O governo alegou que o jornalista deverá ser registrado como mãe, pois “o filho tem o direito de saber a identidade da pessoa que o gerou”.

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Na última quarta-feira (25), após McConnell recorrer à justiça. O presidente da divisão de família do Tribunal Superior da Inglaterra e do País de Gales, Andrew McFarlane, disse, na sentença do caso, que, mesmo se a pessoa for “considerada homem”, a gestação é uma característica da maternidade.

“Agora é médica e legalmente possível que um indivíduo, cujo sexo é reconhecido na lei como homem, engravide e dê à luz seu filho. Enquanto o sexo dessa pessoa é ‘masculino’, seu status parental, que deriva de seu papel biológico no parto, ‘é o de ‘mãe’”, escreveu McFarlane.

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Freddy disse estar chocado com a decisão e estuda para entrar com uma apelação na Corte.

“Se está mantendo o status quo. Estou realmente preocupado com o que isso significa não apenas para mim, mas para outras pessoas trans que são pais ou que querem se tornar pais”, disse.

“Isso tem sérias implicações para estruturas familiares não tradicionais. Defende a visão de que apenas as formas mais tradicionais de família são adequadamente reconhecidas ou tratadas igualmente. Simplesmente não é justo”, concluiu o responsável pelas mídias sociais do The Guardian.

McConnell, que precisou parar com o tratamento hormonal iniciado em abril de 2013, deu à luz em 2018, após a realização de um tratamento de fertilidade.

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A gestação do jornalista virou um documentário intitulado Seahorse, que em português quer dizer Cavalo-Marinho, fazendo referência ao animal que se reproduz através de gravidezes masculinas.

Fonte: The Guardian.