É preciso reconhecer que Faustão tem feito quase sempre um trabalho a favor da causa LGBT em seu programa ao tocar no assunto, como aconteceu quando Pabllo Vittar levou troféu de música do ano no fim do ano passado, ou quando, por exemplo, o ator Tiago Abravanel performou com drags brasileiras o hit “I Will Survive de Gloria Gaynor” e o apresentador fez um discurso close certíssimo contra a homofobia.

Em todas as ocasiões, Faustão sempre defendeu a bandeira da diversidade e falou a todo o Brasil pelo fim do preconceito em closes certíssimos.

Acontece que no último final de semana, em um comentário breve dentre um assunto no Domingão, o apresentador afirmou: “Ser mulher deve ser muito bom porque, o que existe de homem virando mulher, não é brincadeira”.

Certamente o comentário não deve ter sido feito por mal, mas mostra muito da ignorância no assunto da transexualidade. Ninguém “vira” nada. A pessoa já é, sempre foi. Apenas biologicamente e socialmente seu corpo está em desacordo com o que normalmente a pessoa  sempre entendeu sentir e ser. Ou seja, um homem trans não “vira homem” e uma mulher trans não “vira mulher”.

Ambos nasceram em corpos que não “conversam” com o gênero ao qual a mente pertence, e então, se bem entendem, adaptam seus corpos pra se sentirem mais a vontade, o que costuma acontecer na maior parte dos casos. Mas é importante lembrar que estas pessoas sempre foram o que entendem ser no fundo independente das mudanças físicas ou exteriores, ou momento de transição. A transexualidade é uma questão mais ainda psicológica do indivíduo e muitas pessoas limitam a questão física que nada mais é que apenas a consequência do gênero psicológico que a pessoa sempre teve.

Para a tal “adaptação” do corpo, no máximo, a gente pode usar a expressão “transicionou”, uma vez que “transição” é o nome atualmente usado para a fase em que a pessoa faz adaptações em seu corpo afim de adequá-lo ao gênero que entende pertencer. Mas ninguém “vira” ou “muda” nada. Entenderam? Entendeu, Fausto? Fica então a dica pra um próximo comentário sobre o assunto!

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).