VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

A ex-jogadora de voleibol, Ana Paula Henkel, é conhecida por suas posturas conservadoras nas redes sociais, seja defendendo Bolsonaro ou o uso de cloroquina, ou ainda atacando atletas trans e até pessoas negras, apenas, só pra citar alguns exemplos recentes.

Pra se ter ideia, Ana Paula já chegou a ser desmentida pela Confederação Brasileira de Vôlei, por postar fake news tentando atacar atletas trans.

Cerca de 15 dias atrás, na semana da morte de George Floyd, nos Estados Unidos, na contramão de vários movimentos antirracistas que se protestaram, a jogadora fez um post em suas redes sociais comparando em uma absoluta falsa simetria, a proporção de pessoas negras entre assaltantes e prisioneiros e sugerindo: “Tire suas conclusões”. Veja o print do post abaixo:

Não é preciso ser muito inteligente pra saber que de fato há mais pessoas negras na miséria e que consequentemente muitas tem maior chance de cair na criminalidade e também prisão devido a total falta de amparo do Estado e avassaladora desigualdade social, que infelizmente ainda caminha junto com a racial em muitos países, como Brasil e Estados Unidos. Fora que isso também é um fator que fomenta o racismo estrutural e o explícito.

Claro que não se trata de uma simples questão de cor de pele pra se ter qualquer propensão de roubar ou assassinar. Pensar ISSO deste modo sim seria puro racismo, como foi o caso de Ana Paula. Mas foi isso que obviamente ficou subentendido pelo post da ex-jogadora, como se quisesse justificar o racismo ou a truculência policial com negros, algo tão comum e que culminou na morte de George Floyd, diga-se de passagem, um homem inocente.

Pois bem. Alexandre Alvim, um jovem gay, comentou no último dia 4 de junho, justamente neste polêmico post de Ana Paula, que foi considerado até por muitos de seus seguidores, uma analogia não apenas simplista, mas extremamente racista.

“Não houve qualquer ofensa no meu comentário. Eu só critiquei a comparação extremamente preconceituosa e racista distorcendo números estatísticos. E também falei que era triste ver que ela, ao contrário de Ana Moser, Marcia Fu e Venturini, que até hoje tem relevância, são jogadoras lembradas pelo talento enquanto ela vive de polêmicas e palanques. Citei a ironia que era a geração dela sempre perder dentro e ter apanhado fora da quadra pra uma seleção preta, e que na posição dela, tínhamos as duas maiores centrais da história, pretas e icônicas do vôlei: Regla Torres e Magaly Carvajal”, explicou Alexandre sobre seu comentário imediatamente deletado por Ana Paula no post acusado de racismo.

Mas parece que o incômodo da jogadora foi tamanho com o comentário do rapaz que, quase 2 semanas depois, ela foi até o seu perfil do Instagram e fez questão de responder um dos stories onde Alexandre postou uma música antirracista de Beyoncé dizendo: “A bicha se acha linda!!! HAHAHAH vc é muito BREGA PUTA QUE PARIU!! Hahahahah se olha no espelho! Você é muito brega, BICHA!”.

Veja o print abaixo:

“Fiquei surpreso por ela ter visitado meu Instagram e respondido meu Story. Mas o conteúdo da resposta não choca ninguém porque não difere do que ela costuma propagar em suas redes sociais atrás de polêmicas e holofotes. É o reflexo do Brasil que viu no bolsonarismo a oportunidade de externar todos seus preconceitos sob o preceito distorcido de liberdade de expressão”, disse Alexandre Alvim ao Põe Na Roda.

Alexandre printou os comentários homofóbicos da jogadora e expôs em suas redes sociais: “Há duas semanas critiquei story e post considerado racista dessa pessoa. Hoje acordei com essa resposta homofóbica e racista ao meu story da música antirracista da Beyonce. Triste ver o nível raso e falta de argumentação”, escreveu ele na imagem.

E continuou: “Pra mim qualquer ofensa vindo dela é um elogio e o bloqueio no Instagram é um favor. O sucesso e talento de jogadoras LGBTQI_ pretas talvez seja a razão de tanta amargura e preconceito? Sobre minha beleza, Ana Paula, me olho no espelho e vejo uma pessoa comum: feia ou bonita, brega ou não, mas felizmente livre dos seus preconceitos”, concluiu.

Pra quem não sabe, quando se usa orientação sexual e/ou identidade de gênero como motivo de ofensa, demérito ou chacota, com intuito de ferir a dignidade ou desrespeitar alguém, isso caracteriza crime de homofobia.

Vale lembrar que tanto racismo quanto homofobia são crimes equiparados e, pela lei brasileira, qualquer pessoa que se ofenda pode tranquilamente processar Ana Paula por estes crimes, diga-se de passagem, inafiançáveis.

Alexandre também revelou ter feito Boletim de Ocorrência da situação e analisa a possibilidade de processar Ana Paula criminalmente. 

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).