O ministro da Defesa de Uganda, na África, chamou as pessoas LGBTQ + de “terroristas”.

Em entrevista a um programa de notícias local, o ministro da Defesa e Assuntos dos Veteranos, Adolf Mwesige, falou contra o People Power, movimento inspirado no popular cantor Bobi Wine e que vem popularizando a oposição política no país.

O músico e parlamentar de 37 anos anunciou em julho que planejava concorrer contra o presidente Yoweri Museveni nas eleições de 2021 e há muito tempo é um crítico do governo de Uganda.

As autoridades o prenderam muitas vezes por seu papel em protestos do governo, mas os apoiadores de Wine dizem que as acusações criminais são uma tentativa antidemocrática de silenciá-lo. Sua prisão mais recente em agosto foi supostamente por “irritar” Museveni.

Pra se ter ideia, na última segunda-feira, o governo de Uganda proibiu as pessoas de usar boinas vermelhas, um símbolo de Wine e seu movimento político. É isso mesmo! A partir de agora, quem for pego usando boina vermelha na Uganda pode ser preso.

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E quando se achava que não era possível piorar a situação, na última quinta-feira, Mwesige foi à televisão declarar o movimento People Power como um grupo que se associa a pessoas LGBTQ+, às quais ele acusou de serem terroristas que fornecem drogas aos jovens.

“Quero alertar o público, há uma organização terrorista chamada Movimento Vermelho [Poder Popular]”, disse ele na NBS TV, acrescentando: “Está associado a [LGBTQ +] e criptomoeda e coisas que desejam quebrar a ordem estabelecida. Eles querem anarquia!”, continuou Mwesige.

O governo de Museveni governa o Uganda desde 1985, e o presidente mantém opiniões homofóbicas, rotulando os gays como “anormais”. No ano passado, ele cogitou proibir o sexo oral entre a população porque segundo as loucuras da sua cabeça, “a boca é para comer, não para sexo”.

O sexo gay é ilegal em Uganda e punível com prisão perpétua. A sentença foi rebaixada da pena de morte em 2013 após um protesto global quando o país tentou introduzir um projeto de lei “Mate os Gays”. A lei atualizada também incluía uma pena de sete anos de prisão para qualquer pessoa ou instituição que realize uma cerimônia de casamento entre pessoas do mesmo gênero.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).