Eu adoro dizer que temos o maior litoral do mundo, as maiores cataratas do mundo e, também adoro dizer que temos a maior Parada Gay do mundo!

Justo num país homofóbico e preconceituoso como o nosso em que a população LGBT é morta diuturnamente pelo simples fato de ser quem é, termos a maior Parada Gay do mundo é um ato de resistência impressionante.

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Homofóbico é pouco talvez para dizer. Isso aqui é o Inferno para nós gays, lésbicas, travestis e transgêneros. Justo nós, um povo acolhedor, caloroso, amoroso, somos nós mesmos brasileiros que matamos mais brasileiros pelo simples fato de sermos LGBT’s. .

Obviamente, o discurso homofóbico tem piorado por causa da crescente onda fascista que vem varrendo o mundo como um todo. De fato, neste ano em que se comemora os cinquenta anos de Stone Wall, a parada é ainda mais importante. Faz cinquenta anos que lutamos, brigamos, apanhamos e sobrevivemos aos mais variados tipos de maus tratos por parte de quem tem preconceito.

Escrevi aqui outro dia sobre o jornalista que deu um furo de reportagem sobre o caso Vaza Jato e, tudo o que os deputados governistas souberam dizer é que o jornalista é um VIAAADO. Ora, como assim? A notícia tem menos importância se o jornalista é gay? Sim, somos vistos como pessoas de segunda classe, muito embora paguemos impostos como qualquer outra pessoa desse país.

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Mas o lindo é que resilientes, diariamente nos levantamos, vestimos nossas armaduras e, saímos para o mundo com a cara e a coragem de dizer quem somos e a que viemos.

Com quem você dorme é um problema particular seu mas, fazer ativismo contra a homofobia e fazer apologia LGBT é obrigação de todos nós, sejamos gays ou não.

A parte boa da revolta de Stone Wall é que aquela meia dúzia de amigas nossas que brigaram pelo direito delas de simplesmente frequentarem um bar vestidas como quisessem fez com que chegássemos, cinquenta anos depois, à maior parada do orgulho gay que o mundo tem notícia.

Milhões de pessoas vão à Avenida Paulista celebrar o orgulho gay. Orgulho de sermos quem somos, de vivermos como vivemos e, de não termos que dar satisfação a ninguém. Somos mecânicos, pedreiros, médicos, advogados, empresários e, sim, somos gays, lésbicas, travestis e transgêneros.

Fazer parte de uma comunidade é da natureza humana mas, ser parte da comunidade LGBT é para dar orgulho a qualquer um! Ser da Liga das Senhoras Fazem Caridade é importante. Mas, lutar por seus próprios direitos, apanhar da polícia, ser mal tratado nos lugares que frequentamos e não ficar quietos com isso, é um orgulho enorme!

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Marchar pela Paulista, ostentando seu orgulho é uma coisa que fez durante anos que o debate acontecesse e, as novas gerações já não são tão homofóbicas. Marchar pela Paulista é um ato de resistência onde os membros do congresso estão apavorados com a decisão do Supremo Tribunal Federal de criminalizar a homofobia. A uma, porque é crime mesmo segregar e, a duas porque estavam tramando no congresso fazer o projeto de lei que livrava a cara de religiosos da homofobia. Ser cristão é adorar Cristo e não ficar tomando dinheiro de gente ignorante e, apontando o dedo para os gays. Aliás, apontar dedo é bondade minha. As coisas que religiosos fundamentalistas e fanáticos falam sobre nós gays são absurdas e, somente revelam um medo de assumirem suas próprias sexualidades. Tivemos até aqui em São Paulo, um deputado estadual que, depois de ser homofóbico um uma outra deputada, com medo da represália, assumiu no parlamento, que também é gay. Melhor pra ele ter se assumido e eu louvo a atitude  mas, é nos enrustidos que moram os homofóbicos.

Você tem pouca notícia de crianças que sejam preconceituosas, Os pais jovens têm ensinado aos seus filhos que todos são iguais. Adolescentes de hoje em dia nem se importam se somos gays ou não; já não se espantam ao verem uma travesti e, pouco lhes importa se a tia querida delas tem namorado ou namorada.

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Isso porquê nossas antecessoras brigaram com a polícia em Stone Wall e porque nós brasileiros mantemos a tradição da parada que a cada ano cresce mais e mais.

Por falar em brigar com a polícia, Guigo Kieras, um Youtuber que eu sigo, foi espancado por policiais no Carnaval, pelo simples fato de ser da comunidade LGBT. A comunidade toda se envolveu no caso e, policiais foram afastados e, pelo que eu soube ainda há processos correndo nesse sentido. Chega de violência contra nós. Ele só estava parado com seu namorado perto de policiais… Quando a comunidade cai babando sobre desmandos, está mostrando que juntos somos melhores.

É até estranho isso: quanto mais somos reconhecidos, menos sentido faria termos uma grande parada gay. Mas, é justo o contrário: Por ser a parada tão grande é que se mostra a força do movimento e, damos o recado ao Supremo que aceitou nosso casamento, que já aceitou criminalizar e homofobia e damos um recado aos parlamentares que ainda chamam seu colega de viado como se isso fosse um xingamento.Somos todos viados com muito orgulho e, cuidado conosco: nós fazemos valer nossos direitos.