O Grupo Gay da Bahia (GGB) divulgou o relatório anual dos crimes contra LGBTs no Brasil. O ano de 2018 registrou 420 assassinatos de LGBT+ brasileiros cujo motivo foi a LGBTFobia (ódio direcionado a identidade de gênero ou orientação sexual). Foi registrada uma leve queda de 6% em comparação com 2017, quando a instituição contabilizou 445 óbitos.

Muitos casos não têm, no entanto, o reconhecimento da polícia quanto ao fato de terem sido crime de ódio contra identidade sexual ou de gênero. No relatório foram incluídos casos como o assassinato da travesti brasileira Rafaella Rotocalco na Itália, em setembro, e a morte de Marielle Franco, no Rio de Janeiro, em março. A vítima era casada com a arquiteta Mônica Benício, autora de projetos de proteção à comunidade LGBT+, e atuante nas Paradas do Orgulho LGBT+ do Rio de Janeiro.

Em entrevista para o site Universa, Luiz Mott, fundador do GGB e responsável pelo site “Quem a homotransfobia matou hoje”, justifica a inclusão: “Mesmo que a principal linha de investigação sugira tratar-se de um crime de vingança, diversas lideranças LGBT+ têm questionado se o assassinato não teve absolutamente nenhuma conotação de lesbofobia. Nossa experiência de 40 anos de militância e registro de mais de 4 mil crimes LGBTfóbicos permite-nos o benefício da dúvida”.

O Estado de Alagoas, por exemplo, teve 20 assassinatos, mas como o Estado tem 3,3 mi de habitantes, fica em primeiro lugar na lista como o mais perigoso para o público LGBT+, proporcionalmente.

Já ao levarmos em conta apenas a quantidade de mortes em números gerais, os Estados com maior número de homicídios e suicídios de LGBT+ em 2018 foram São Paulo (58), Minas Gerais (36), Bahia (35) e o Rio de Janeiro (32). Os menos violentos foram Amapá, com 1 morte, e Acre, Roraima e Tocantins, com 2 mortes cada.

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Este é o único levantamento no país sobre o tema. No total, segundo a entidade, foram 320 homicídios (76%) e 100 suicídios. A cada 20 horas, conclui o documento, um LGBT+ é assassinado ou se suicida vítima da “LGBTfobia”, o que faz do Brasil o campeão mundial desse tipo de crime.

O documento informa ainda que não houve aumento de mortes desta população durante o período de campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, ou mesmo neste primeiro mês do novo governo, apesar das denúncias de insultos e agressões físicas contra LGBT+ por supostos seguidores do presidente. Apenas se deu mais visibilidade aos assassinatos na mídia por terem em seus culpados, eleitores do presidente que clamavam seu nome no ato.

Ao contrário: até esta quinta-feira (24), o GGB levantou 28 assassinatos de LGBT+ em 2019, taxa inferior aos últimos meses de janeiro (2012-2018), quando contabilizou-se uma média de 36,8 mortes. “Tais dados positivos, contudo, não aliviam a enorme preocupação e alerta da comunidade LGBT+ em relação a tantas declarações gravemente LGBTfóbicas de Bolsonaro. Estaremos atentos para reagir a qualquer posicionamento ou retrocesso”, avisa Mott.

O IBGE não inclui no Censo nacional o segmento LGBT+. Os dados sobre esse universo são levantados por associações, e segundo elas, há uma estimativa de 20 milhões de gays no Brasil (10% da população), 12 milhões de lésbicas (6%) e 1 milhão de trans (0,5%). Diante dos números expostos acima, o relatório conclui que as pessoas trans são as mais vulneráveis a mortes violentas.

Dessas mortes, 191 foram vítimas gays e 164 trans. O risco, no entanto, de uma pessoa trans ser assassinada é 17 vezes maior do que um gay. Para o combate à homotransfobia no Brasil, Mott aponta soluções emergenciais. São elas a educação sexual e de gênero, aprovação de leis que garantam a cidadania plena da população LGBT+, como equiparação da homofobia e transfobia ao crime de racismo, e políticas públicas na área da saúde, direitos humanos e educação. Ele aponta ainda que deve-se exigir a investigação e punição desses crimes com rigor.

Para ler o relatório completo clique aqui.