É o que mostra a pesquisa “Viver em São Paulo – Direitos LGBTQI+” realizada pela Ong Rede Nossa São Paulo em parceira com o Ibope.

O levantamento aponta uma queda de 10 pontos percentuais na percepção da população paulistana de que São Paulo é uma cidade tolerante com a população LGBTQI+. Em 2018, o índice de pessoas que classificava a cidade como tolerante com pessoas LGBTQI+ era de 50%; em 2019, esse número baixou para 40%.

Somado a isso, houve uma queda significativa na nota média de avaliação da tolerância na cidade – de 6,3 para 5,9 – na escala de 1 a 10, sendo que 1 significa “totalmente intolerante” e 10 significa “totalmente tolerante”. Já 26% das pessoas entrevistadas classificam São Paulo como uma cidade intolerante em relação à população LGBTQI+. As pessoas mais jovens, que têm entre 16 e 24 anos, são as que mais consideram a cidade intolerante (33%).

Em relação a atuação da administração municipal no combate à violência contra a população LGBTQI+, 25% dos paulistanos e paulistanas afirmam que a administração municipal não faz “nada” e 43% considera que “faz pouco”. Ou seja, para quase 70% da população paulistana a administração municipal faz nada ou pouco no combate à violência contra pessoas LGBTQI+. Apenas 10% das pessoas entrevistadas consideram que a administração municipal “faz muito” no combate à violência contra a população LGBTQI+. Ainda nesta questão, 22% não sabem ou não responderam.

Enquanto os moradores da região Leste são mais críticos em relação à atuação da gestão municipal no que diz respeito ao combate à violência contra a população LGBTQI+ (31% responderam “nada” e 36% responderam “pouco), aqueles que moram nas regiões Norte e Centro são os que mais dizem que muito tem sido feito (14% e 18% respectivamente).

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A população LGBT está mais vulneráveis nas ruas, nas praças, nos trens e nos ônibus, porque esses lugares concentram “o maior encontro entre as diferenças”, diz o sociólogo Américo Sampaio, coordenador da Rede Nossa São Paulo.

“Os números são graves: dois terços da população paulistana não sabem conviver com o diferente justamente em espaços que possibilitam esse tipo de exercício”, afirma. Escolas, faculdades, shoppings, bares e restaurantes –todos com grande circulação de pessoas–, também foram lembrados pelos entrevistados como pontos recorrentes para casos de preconceito contra a população LGBT.

Segundo a pesquisa, mulheres pretas ou pardas, de escolaridade mediana, com renda mensal de até dois salários mínimos e moradoras da zona leste têm a percepção de que são as mais afetadas pelo preconceito na capital paulista. A zona leste se sobressai porque é a região mais populosa da cidade e, por isso, ganha mais relevância na amostra de entrevistas feita para o levantamento, explica Sampaio.

A cidade também ficou mais hostil em relação à população LGBT. Os entrevistados que acham São Paulo tolerante em relação aos LGBTs caíram de 50% para 40% nos últimos doze meses. Essa percepção geral é mais forte entre os mais jovens, os mais pobres e aqueles que se autodeclaram pretos ou pardos –parcela da população geralmente mais exposta às situações de preconceito.

Sampaio, da Rede Nossa São Paulo, aponta que a eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL) funcionou como gatilho para a queda do indicador na segunda edição do estudo. “Ele trouxe um discurso bastante agressivo contra a população LGBT. A pessoa que tem preconceito passou a se sentir mais livre para expressar seu ódio nas ruas”, diz.