Acadêmicos importantes atacaram as propostas da World Rugby, a liga mundial de rugby, de banir mulheres trans e pessoas não binárias do esporte. Eles dizem que ‘não há evidências’ de que mulheres trans representam um risco de segurança para outras jogadoras de rúgbi. Além disso, eles dizem que isso discrimina pessoas trans e não binárias vulneráveis.

No mês passado, vazou um documento preliminar da World Rugby que argumentava que mulheres trans não deveriam ser capazes de jogar ao lado de mulheres cis. O documento firmou que as mulheres trans tinham uma vantagem física “significativa”, no entanto, concluiu que os homens trans ainda podiam competir com jogadores cis do sexo masculino.

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Agora, 84 importantes acadêmicos – incluindo das áreas de esporte, saúde pública e sociologia – criticaram os planos da World Rugby. O Guardian relata que os especialistas dizem em uma carta conjunta: “Nos opomos à proibição proposta pela World Rugby de todo um grupo populacional de jogar rugby feminino: pessoas não binárias presumidas do sexo masculino no nascimento e mulheres transexuais. Não há evidências científicas revisadas por pares para justificar uma proibição que só seria prejudicial para pessoas trans e de gênero diverso.”

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As diretrizes do World Rugby falham, a carta argumenta que não se trata de uma “população marginal”. Como evidência, cita um estudo do American Center for Disease Control and Prevention. Ele descobriu que 3,4% dos alunos de escolas americanas se identificam como pessoas trans ou de gênero diverso, ou eles “não tinham certeza” sobre sua identidade de gênero.

A carta acrescenta: “Para desenvolver diretrizes adequadas é necessário trabalho contínuo com atletas transgêneros e representantes da comunidade, e envolvimento com evidências rigorosas revisadas por pares. Essas diretrizes falham em ambas as contas”.

No entanto, a World Rugby afirma que sua pesquisa é robusta. Segundo o relatório, a participação de mulheres trans no esporte leva a um aumento de 20% a 30% no risco de lesões. E, em uma declaração, acrescenta: ‘Desde o início, buscamos equilibrar inclusão, segurança e justiça dentro do contexto de um esporte físico baseado na força, potência, velocidade e contato, no entanto, a posição das evidências médicas científicas sobre o impacto da supressão da testosterona para atletas trans é convincente, o risco de lesões no nível de elite é real e deve ser abordado”.

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Além disso, eles dizem que é “simplesmente falso” dizer que sua pesquisa não recebeu revisão por pares. Mas a política da organização chega em um momento em que a inclusão de pessoas trans no esporte está se tornando um campo de batalha.

No início deste ano, a Comissão de Direitos Humanos da ONU criticou o Atletismo Mundial, entre outros, por políticas trans que considerou “estigmatizantes, estereotipadas e discriminatórias”.