Não devendo nada a ninguém e sem medo de comprovar a origem de seus ganhos, o deputado David Miranda e seu marido Glenn Greenwald rapidamente juntaram extratos e comprovantes bancário abrindo todas as suas finanças e deixando seus rendimentos à disposição da justiça.

Em uma tentativa de intimidar as denúncias da Vaza Jato (que tem constrangido Sergio Moro, Dallagnol, Bolsonaro e cia), lideradas pelo jornalista premiado internacionalmente Glenn Greenwald, na última semana, o COAF (órgão do governo que controla operações financeiras) veio a público em uma matéria do jornal O Globo, afirmar que “movimentações atípicas” haviam sido detectadas nas contas do deputado David Miranda, marido de Glenn.

As “movimentações estranhas” seriam 1,3 milhão de reais que entraram em sua conta, divulgados de maneira sensacionalista como 2,5 milhões (somaram a entrada e saída de recursos para dobrar o valor real) na conta de David Miranda.

Depois disso, David e Glenn se dispuseram a comprovar todos seus ganhos na justiça, que vão bem além da renda como parlamentar em segundo mandato de David Miranda. Ele e Glenn tem mais duas empresas além do Intercept. Glenn também é um jornalista premiado internacionalmente, além de ter livros e documentários lançados em vários países sobre os quais ganha direitos autorais. Sendo assim, uma quantia de 1,3 milhão de reais estaria totalmente de acordo com a realidade do casal.

“Estamos enviando voluntariamente todos os nossos registros bancários e de renda ao tribunal e tb apontamos onde todos online podem ver uma grande parte de nossa renda familiar publicamente: uma grande transparência que os Bolsonaros não farão nada perto”, disse Glenn em seu Twitter.

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Glenn no Twitter.

Como se sabe, o COAF já detectou há muitos meses “movimentos estranhos financeiros” da família Bolsonaro, especialmente de Flávio Bolsonaro e seu ex-motorista Fabrício Queiroz – mas seus advogados conseguiram travar a investigação na Justiça, e Bolsonaro fez ameaças até de trocar comandos da Justiça e da Polícia Federal para impedir a investigação de chegar em seu filho, além de sempre terem negado expor seus extratos ou esclarecer à justiça o que aconteceu para um ex-motorista movimentar mais de 7 milhões de reais entre depósitos na conta de Flávio e até da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro.

Tanto para Glenn quanto para David Miranda, está claro que a tentativa de constrangê-los e expor suas finanças se trata de uma perseguição política em retaliação ao trabalho que Glenn está fazendo revelando os podres e corrupções da Operação Lava Jato com sua Operação Vaza Jato. Até porque o principal constrangido pelas revelações é justamente o atual ministro da justiça do governo Bolsonaro, Sergio Moro. O medo dessa turma é grande uma vez que muitas revelações ainda estão por vir.

“Esse processo de investigação começou justamente dois dias depois que o Glenn e o Intercept Brasil começaram a divulgar as mensagens da Vaza Jato. A movimentação que teve na conta foi de R$ 1.300.000, é uma renda compatível com minha família. Minha renda familiar, junto eu o Glenn. O Glenn tem quatro livros renomados na New York Times Best Sellers List, produzimos filmes, ele dá discursos e trabalha para o Intercept“, disse Glenn.

E seu marido, o deputado federal David Miranda, finalizou completando: “Qualquer jornalista que quiser ver está à disposição, está muito claro. Utilizamos minha conta para pagar nossas despesas. Estou disposto e vou ao juiz demonstrar todos meus extratos e, também, quero sugerir à família Bolsonaro que faça o mesmo! Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. E claro, óbvio, o Queiroz. Estou de peito aberto e não tenho medo de nenhum de vocês de utilizarem o aparato do Estado para intimidar as publicações da Lava Jato. Isso vai continuar, sem medo dessa retaliação”

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).