Pré-adolescentes lésbicas, gays e bissexuais estão usando pornô on-line para descobrirem sua sexualidade, compensando a falta de educação sexual nas escolas.

Essa é uma das principais conclusões de um novo relatório do British Board of Film Classification, divulgado pelo portal GSN. Os pesquisadores descobriram que algumas crianças – héteros ou LGBTs – já estão começando a acessar conteúdo adulto a partir dos sete anos, encontrando primeiramente ao acaso na Internet.

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Mas quando chegam à pré-adolescência, eles já acessam estes materiais deliberadamente e conscientemente. Muitas de suas dúvidas e curiosidades são respondidas ali, o que pode ser bom por termos uma geração menos ignorante que as anteriores sobre sexo, mas ruim pela falta de controle ou filtro.

Segundo o estudo, quase todos os adolescentes lésbicas, gays ou bissexuais (LGB) aprenderam mais sobre sua sexualidade com material da Internet, uma vez que não contam com apoio da família ou escola para se informarem.

Os pesquisadores entrevistaram pais com filhos de 11 a 17 anos em todo o Reino Unido e também com adolescentes de 16 a 18 anos. Alguns dos participantes tiveram acesso muito jovens. No início, principalmente se eles têm menos de 10 anos, costumam se sentir ‘confusos’ ou ‘enojados’.

O primeiro acesso normalmente acontece por acidente nas pesquisas do Google onde eles digitam “sexo”, por exemplo, querendo saber o que isso significa. Mas outros o descobriram pela primeira vez através de anúncios pop-up online e alguns outros assistiram pela primeira vez isso depois que amigos enviaram algum link ou compartilharam um vídeo em seu telefone.

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Dentre a geração de crianças e adolescentes de 11 a 13 anos, pouco mais da metade já acessou vídeos adultos. Já entre adolescentes de 14 e 15 anos este número chega a dois terços, enquanto de 16 e 17 anos, chega a 79%.

A maioria usa sites adultos específicos como Pornhub, xHamster, xVideos e RedTube. No entanto, os adolescentes também estão assistindo este tipo de conteúdo em redes como Snapchat, Instagram, Twitter e outras plataformas de mídia social.

Os pesquisadores disseram: “Os jovens expressaram insatisfação – e, em alguns casos, frustração – com a qualidade da educação sexual nas escolas. Por exemplo, algumas pessoas sentiram que a educação sexual estava excessivamente focada na“ biologia do sexo” e no entendimento de doenças sexualmente transmissíveis, enquanto faltavam detalhes sobre práticas e comportamentos.

Parte do mesmo estudo, uma pesquisa on-line só com crianças constatou que 48% delas concorda que “a escola deveria ensinar mais sobre sexualidade e relacionamentos”.

Por exemplo, Robyn (nome alterado), com 16 anos, disse aos pesquisadores: [[educação sexual] na sua escola era absolutamente lixo: “Nunca aprendemos sobre sexo gay, apenas aprendemos sobre sexo hétero, o que não foi muito útil para mim, infelizmente.”.

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O relatório diz que os adolescentes estão se voltando para o pornô para descobrir ‘o que fazer’ durante o sexo e ‘como agradar alguém’.

Ainda segundo o resultado da pesquisa, jovens ​​disseram que tinham buscado na Internet sobre:

  • Aprender sobre sexo: 32% meninos, 20% meninas
  • Aprender se eu pareço normal pelado: 17% meninos, 19% meninas
  • Ideias para experimentar sexualmente: 14% meninos, 8% meninas
  • O que se espera de mim sexualmente: 15% meninos, 10% meninas
  • O que atrai o gênero desejado: 13% meninos, 9% meninas
  • Melhorar o sexo: 7% meninos, 3% meninas

O relatório do BBFC afirma: “Para muitos dos entrevistados LGB na pesquisa qualitativa, assistir vídeo adulto é uma maneira de entender sua sexualidade. Era comum esses entrevistados LGB começarem a assistir vídeo hétero, apenas para perceber que não consideravam isso sexualmente gratificante e depois gradualmente migrar para categorias homossexuais”.

Um grande número de 46% dos jovens LGB disseram aos pesquisadores que o acesso a este tipo de conteúdo os ajudou a “aprender para que gênero (s) eles eram atraídos”. Em comparação, apenas 5% das crianças heterossexuais entendem isso, provavelmente porque a heterossexualidade é o padrão cultural da sociedade e estes nem se dão conta ou precisam se questionar a respeito de seus gostos pelo que já é vastamente “oferecido”.

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Outro dado curioso revelado é que, quando têm 16 ou 17 anos, é mais provável que os adolescentes assistam pornô por prazer. Os meninos geralmente escolhem as categorias “Lésbicas”, “MILF”, “Adolescentes” ou “Trios”. Já as meninas também assistem a conteúdo “lésbico”, mas por um motivo diferente.

O relatório explica: “As meninas declararam que preferiam vídeos com lésbicas ou a solo, porque não gostavam de como os homens tratavam as mulheres nos vídeos heterossexuais”.

Vale lembrar que, apesar de declararem gostar do conteúdo, pesquisadores lembram que há riscos no consumo de conteúdo adulto por crianças e adolescentes: “A maioria dos meninos e meninas da amostra indicou ter visto conteúdo perturbador em algum momento, geralmente relacionado a “violência “ou” agressão”.

O estudo ainda revela: “56% das crianças de 11 a 13 anos da pesquisa deseja acessar sites para maiores de 18 anos”, enquanto 83% dos pais concordam que deveria haver controles de verificação de idade nestes sites.

Apesar da verificação de idade ser uma realidade na maior parte destes sites, o estudo ainda constatou que 14% das crianças de 11 a 13 anos dizem saber burlar softwares de verificação de idade, em comparação com 34% dos adolescentes de 16 a 17 anos.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).