As clínicas estão diagnosticando um novo caso de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) a cada 70 segundos na Inglaterra, com predominância entre homens gays e bissexuais.

A Instituição de Caridade para Saúde Sexual Terrence Higgins Trust (THT) e a Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV (BASHH) dizem que a sífilis está agora em seu nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial.

Homens gays e bissexuais são particularmente afetados pelas ISTs. Eles representaram 75% de todos os novos casos de sífilis em 2018.

Ao mesmo tempo, o governo reduziu em um quarto os gastos com serviços de saúde sexual desde 2014. THT e BASHH dizem que seu relatório sobre a situação no território, divulgado hoje (5 de fevereiro), deve ser um alerta para o governo.

Cresce números de ISTs e infecções ocultas

O relatório diz que houve 447.694 casos de IST diagnosticados na Inglaterra apenas em 2018.

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Muitas ISTs dispararam na última década. Em particular, a gonorreia aumentou 249% e a sífilis aumentou 165%. Enquanto isso, as taxas de clamídia aumentaram 6% em 2018.

Com recursos limitados, as clínicas de saúde sexual não estão testando rotineiramente as ISTs emergentes, como a Mgen – Mycoplasma Genitalium é uma IST que infecta as genitais e urina de homens e mulheres. Por poder ser limpa e não apresenta sintomas muitas vezes passa despercebida, mas em outros casos, pode causar dor e secreção no pênis ou na vagina e sangramento vaginal. Os médicos podem realizar o tratamento com antibióticos, mas, devido à resistência aos medicamentos, pode levar vários dias de tratamento para curar.

Enquanto isso, THT e BASHH também dizem que algumas pessoas com sintomas de IST não conseguem agendar consultas para serem testadas e tratadas.

No entanto, o relatório também aponta para sucessos. Por exemplo, o governo financiou um programa de vacina contra o HPV para meninas e depois o estendeu para meninos. E o resultado foi uma grande queda em novos casos de verrugas genitais.

Quem está em maior risco de sofrer ISTs?

Os jovens representam 48% de todos os novos diagnósticos de IST. Enquanto isso, homens gays e bissexuais representam três em cada quatro (75%) de todos os diagnósticos de sífilis.

E algumas das taxas gerais mais altas de IST estão entre os negros do Caribe e os negros não-caribenhos e não-africanos. Além disso, as pessoas que já vivem com HIV correm maior risco.

Embora ocorra um aumento nas ISTs, houve queda no número de novos casos de HIV, de acordo com a pesquisa publicada em janeiro.

No caso do HIV, as taxas de novas infecções caíram 71% entre homens gays e bi.

Isso ocorre em parte porque mais pessoas HIV positivas estão em tratamento – e uma vez em tratamento eficaz, o vírus cai para níveis “indetectáveis” e não pode ser transmitido. Os ativistas chamam isso de “indetectável = intransmissível”

Ao mesmo tempo, mais homens gays e bi estão tomando PrEP, um medicamento que é muito eficaz para impedir a transmissão  HIV.

O governo deve agir 

Jonathan McShane, presidente do Terrence Higgins Trust, disse: “Este relatório mostra que a saúde sexual do país não está em boa forma. Deve ser um alerta para que o governo tome medidas”.

Embora o NHS ofereça clínicas de saúde sexual, é o governo local, e não o governo nacional, que paga a conta. E com o governo dando cada vez menos dinheiro às autoridades locais, as atividades reduziram.

O Dr. John McSorley, Presidente do BASHH, disse: “Anos de cortes no financiamento do governo e interrupções causadas por estruturas fragmentadas de comissionamento colocaram pressões incríveis nos serviços de saúde sexual neste país”.

Enquanto isso, THT e BASHH dizem que o país também não possui uma estratégia nacional clara para as ISTs. McShane acrescentou: “Isso resultou em taxas de algumas ISTs em espiral e serviços lutando para lidar com a demanda. É preciso haver uma abordagem de longo prazo para melhorar a saúde sexual. Uma estratégia ambiciosa, combinada com o financiamento adequado, é a única maneira de apoiar as pessoas a terem uma vida sexual saudável e gratificante”.

Matéria traduzida do site Gay Star News. Para ler a versão original em inglês acesse aqui.