Qualquer profissional formado em medicina deveria saber e poder atender a qualquer ser humano, de acordo com sua área de especialidade, não é? Pois ainda são poucos os profissionais de saúde capacitados para entender muitas demandas específicas de saúde LGBT.

Existem determinadas questões de saúde pertinentes (ou pelo menos mais comuns) a gays, lésbicas, bissexuais e principalmente transgêneros, que a maior parte dos profissionais da área simplesmente ignora. Quantas vezes um homem trans não acaba sendo constrangido ao procurar por ginecologista? Ou uma mulher trans no urologista? Quantos médicos entendem dos efeitos da hormonização em sua área de atendimento? Quantos sabem de necessidades de exames como anuscopia, por exemplo, em algumas pessoas?

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Existem alguns profissionais de medicina famosos na Internet por justamente focarem suas redes sociais em questões de saúde LGBT, como os doutores Vinicius Borges (Doutor Maravilha)Vinicius Lacerda e a ex-BBB Marcela Mc Gowan, pra citar alguns exemplos. Mas isso é pelo próprio interesse deles e não porque aprenderam na faculdade. E todo médico deveria saber atender a todo paciente, certo em sua área de especialidade, certo?

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Muitas vezes profissionais de saúde não sabem sequer questões básicas de saúde e de respeito, como nome social e a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual. Não são raras ainda as vezes em que pessoas LGBTs não se sentem acolhidos ou entendidos como pacientes na saúde.

Em uma iniciativa ainda inédita (e que certamente será padrão no futuro pra justamente terem profissionais de saúde capacitados a esta demanda), a Universidade Federal do Ceará (UFC), incluiu em sua grade curricular conceitos de gênero e sexualidade.

“No 2º semestre de 2019 foi incluído no currículo do módulo OBRIGATÓRIO de Sistema Genito-Urinário, que é lecionado para os alunos do segundo semestre do curso de medicina, aulas obrigatórias sobre os conceitos envolvendo gênero e sexualidade. Ainda convém ressaltar que, além de terem ocorrido aulas sobre esse assunto tão importante, isso também foi cobrado nas avaliações que fazem parte do processo avaliativo do componente curricular”, disse o aluno Aureliano Santos ao Põe Na Roda sobre este grande – e necessário – avanço.

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Universidade Federal do Ceará: Curso de medicina terá questões de saúde LGBT. (Foto: Divulgação)
Universidade Federal do Ceará: Curso de medicina terá questões de saúde LGBT. (Foto: Divulgação)

Que incrível, né? Como lembrou Aureliano: a medicina e a saúde devem ser para todos! E sendo assim, a saúde LGBT deve ser vista também como um direito. Como já disse o Doutor Vinicius Borges: se você não se considera um médico capacitado para atender a população LGBT, não seja um médico.

Que a atitude da Universidade Federal de Medicina do Ceará (UFC) sirva de exemplo a outras instituições de ensino para que atualizem suas grades curriculares de cursos das Ciências da Saúde, isso é, se quiserem estar no século 21 e se preocuparem com o futuro de seus formandos, afinal, a demanda e necessidade desta parcela da população está aí, cada vez mais evidente.

Veja abaixo algumas imagens enviadas por Aureliano ao Põe Na Roda, de questões da UFC que envolvem gênero e sexualidade:

Curso de medicina com questões de gênero e sexualidade aos alunos. (Foto: Reprodução)
Curso de medicina com questões de gênero e sexualidade aos alunos. (Foto: Reprodução)
Curso de medicina com questões de gênero e sexualidade aos alunos. (Foto: Reprodução)
Curso de medicina com questões de gênero e sexualidade aos alunos. (Foto: Reprodução)
Curso de medicina com questões de gênero e sexualidade aos alunos. (Foto: Reprodução)
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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).