Quando o assunto é sobre o contato sexual entre mulheres lésbicas, muita gente pensa que não é necessário nenhum cuidado na hora de ter relações sexuais. No entanto, não é o que explica a Dra. Nelly Kobayashi, especialista em sexologia pela Universidade de Pisa (Itália) e parceira da Innuendo.

“Ao contrário do que algumas pessoas pensam, este grupo também está suscetível a contrair doenças sexualmente transmissíveis, inclusive durante a prática de sexo oral, sendo indicado um método de barreira para proteção, além da realização periódica de exames de sangue e coleta de citologia cervico-vaginal”, explica a especialista.

A médica também lembra sobre alguns cuidados que devem ser tomados com utensílios eróticos.  “Os cuidados com a higiene e compartilhamento de brinquedos sexuais devem ser permanentes. Os produtos precisam ser lavados antes e após o uso e cobertos com preservativo. Nesse sentido, ainda vale lembrar que alguns vírus, como o HPV (Papiloma Vírus Humano) ou a Herpes, podem ser adquiridos mesmo com uso de preservativos”, pontua. 

Outro cuidado que a especialista recomenda está relacionado à saúde mental. Afinal, sabe-se que a depressão pode ser um problema para pessoas LGBTQ+, principalmente, em casos de não terem aceitação familiar.

“Sabemos que este é um grupo com altos índices de depressão e transtornos de ansiedade, por isso é importante avaliar periodicamente a saúde mental. A alienação social, discriminação, rejeição por amigos e familiares, abuso de drogas e violência são alguns dos fatores que podem contribuir para o surgimento destas patologias. O problema ainda pode ser intensificado para aquelas que se sentem excluídas de seus círculos e que não têm qualquer tipo de apoio social”, enfatiza.

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Por fim, a especialista lembra que não são apenas as mulheres lésbicas que devem ter cuidados com a saúde intima. “Na verdade, todas as mulheres precisam estar atentas a esta questão, sobretudo, quanto à importância das consultas médicas e da realização de exames preventivos regulares”, recomenda.

E finaliza: “Para aquelas que se encontram na faixa etária de 25 a 64 anos e que já iniciaram as suas atividades sexuais, é essencial realizar, anualmente, a coleta de citologia oncótica, o tradicional Papanicolau. Após os 40, a mamografia é imprescindível, dentre outros exames que são indicados. Recomendam-se, ainda, vacinas contra Hepatite B e HPV, de acordo com o histórico da paciente”, exemplifica e encerra.