A abordagem de hoje será dedicada a saúde íntima da mulher lésbica e do homem trans, com a ajuda da médica ginecologista Dra. Talitha Araújo.

O acompanhamento ginecológico de mulheres e homens transexuais tem como importância a profilaxia de infecções sexualmente transmissíveis, do câncer e de outras doenças causadas pelo comprometimento da flora vaginal (corrimento e coceira vaginal), e deve ser realizado independente da orientação sexual. 

É importante ressaltar que os homens transexuais podem se sentir mais confortáveis em realizar esse acompanhamento com um médico de família, pois a sua sala de espera é mais diversa (homens, mulheres, crianças e outrxs trans), ao contrário dos ginecologistas que normalmente só atendem mulheres cisgênero.

Quer dizer que durante o sexo entre duas mulheres pode haver transmissão de IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis)?

A resposta é SIM! Durante o ato sexual entre mulheres, mesmo sem penetração, existe a troca de material biológico, tanto pelo contato direto da genitália, quanto pelo toque, levando a transmissão de vírus e bactérias. Os agentes sexualmente transmissíveis mais comuns são o Papilomavírus Humano (HPV), Herpes, Clamídia, Gonococco e Sífilis. O uso da camisinha feminina diminui a chance de contágio, prevenindo as ISTs de uma forma geral.  Há também a opção de utilizar a camisinha masculina aberta como um invólucro de proteção para o sexo lésbico.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

O HPV é o principal causador de verrugas genitais, tanto no homem quanto na mulher, e do câncer de colo uterino, cuja prevenção consiste no uso do preservativo e na vacina. A vacina previne a infecção e melhora o status imunológico, mesmo em mulheres que já entraram em contato com o vírus, reduzindo a chance de desenvolver o câncer. A partir dos 25 anos, mulheres sexualmente ativas devem realizar o exame Papanicolau, que visa identificar lesões precursoras de câncer no colo do útero, permitindo o tratamento adequado antes da evolução para o câncer.  Homens transexuais devem realizar essa prevenção do câncer no colo do útero apenas se já tiveram histórico de sexo com penetração peniana ou consolos compartilhados, e ainda não realizaram a cirurgia de retirada do útero e a modificação dos genitais externos.

Além das doenças transmitidas pelo sexo, devemos estar atentos também à saúde das mamas. É indicada a realização do autoexame das mamas ao fim de cada ciclo menstrual a fim de detectar nódulos ou áreas assimétricas. A partir dos 50 anos, mulheres e homens trans que não realizaram a mastectomia, sem história familiar de câncer de mama, ou 10 anos antes da idade do familiar quando acometido, devem realizar exames preventivos como a mamografia e ultrassonografia de mamas.

Viram como o acompanhamento ginecológico é de extrema importância, independente da orientação sexual?