Rosto e corpo é questão de gosto? O que você olha em um cara ao “fazer sua escolha” para um date, um beijo na boate, namoro, amizade, qualquer forma de relação? O que te motiva inicialmente é algo relacionado à forma, cor da pele, cabelo, nacionalidade, barba? Ou você é indiferente e prefere que o contato defina o encontro?

O fato é que a construção da ideia de beleza é estrutural. Nós somos motivados a acreditar que um rosto com pouca simetria é feio e com mais simetria é bonito. Mas a questão vai além, quando nossas escolhas estão focadas em caras brancos, magros ou malhados, isso é racismo estrutural guiando nossas escolhas voltadas somente para pessoas de estética eurocentradas.

Pode doer, mas é verdade. Praticamente somos todos racistas, sorofóbicos, xenofóbicos, gordofóbicos e até transfóbicos quando deixamos que nossas “escolhas” sejam lideradas pelo gosto do senso comum: branco, cisnormativo, de barba, malhado, jovem. Sim, e esse preconceito é estrutural e não, não é culpa sua, mas da estrutura em que somos educados.

O amadurecimento nos leva a processos de desconstrução dessas “fobias” sociais e um passo inicial é oportunizar nossas relações dentro da diversidade, dar chances a caras negros, gordos, asiáticos, afeminados. Um outro passo é parar de fetichizar o corpo do outro: “o negro tem pênis grande e tem que ser ativo, o afeminado tem que ser passivo, transar com menino trans porque só assim para ‘comer uma boct***’”, são processos que a gente precisa iniciar.

Naturalmente que sempre teremos indicadores de atração, mas entender que sexo se faz com o corpo inteiro, muito além do falo, pode nos dar a chance de oportunizar relações com caras fora da curva que comumente costumamos procurar nos app e festinhas. A discussão é longa e vai muito além de rosto e corpo e o vídeo acima é uma reflexão inicial de que temos muito a discutir.

É fundamental entender que quando TODAS as nossas escolhas são brancas, magras e de barba, não é questão de gosto, visto que a não-oportunização de contato com corpos diversos está diretamente ligada ao afastamento e apagamento sistêmico daquilo que não consideramos padrão.

Mais uma vez, você tem todo direito de fazer suas escolhas, mas usar como critério a questão de gosto pessoal para discriminar a diversidade dos afetos e relacionamentos é sim, uma forma de opressão de minorias, especialmente as que estão dentro da sigla LGBTQIA+ e que mais sofrem o abandono causado pela padronização dos corpos.