Um estudo da Universidade de Michigan, publicado pelo American Journal of Men’s Health do mês de julho e noticiado pela BBC, analisou a vida de 160 casais gays para analisar níveis de abuso doméstico em comparação a casais heterossexuais.

Foi constatado que, enquanto certos fatores permanecem os mesmos em relação aos héteros, existem fatores chave para favorecer o abuso em uma relação entre dois homens, como insegurança financeira e homofobia internalizada em homens gays e bissexuais.

“Os resultados revelaram que a VPI (indicadores que medem os níveis de violência por parceiro) era muito mais comum entre gays que tiveram histórico de violência homofóbica na vida e sofreram mais rejeição, e entre os que tinham visões mais tradicionais de masculinidade, tendo dificuldade em ceder e lutando para ser o alfa da relação”, indicou o estudo.

Realizando entrevistas individuais, pesquisadores classificaram os abusos em cinco tipos:

  • “Físico e sexual”: incluindo casos de sexo em que uma parte apenas consente o ato.
  • “Emocional”: para fatores como criticar demais escolhas do outro e comportamentos.
  • “Controlador”: para quem tenta até fazer o outro evitar de encontrar familiares ou amigos.
  • “Monitoramento”: para os casos de quem checa e-mails e mensagens de texto do parceiro.
  • “Casos relacionados ao HIV”: para casais onde, por exemplo, houve mentira sobre o status de transmissão intencional do HIV.

Quase metade dos casais gays (45,6%) relatou já ter sofrido alguma forma de relacionamento abusivo com o parceiro atual. A violência “Emocional” foi a mais relatada (33,6%), seguida por “Monitoramento”, relatado por 20% dos entrevistados.

A violência “Física e sexual” foi experimentada por 9,7% dos entrevistados, enquanto o comportamento de “Controle” foi observado em 6,8%.

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Um dos autores do estudo, professor de enfermagem da Universidade de Michigan e diretor do Centro de Sexualidade e Disparidade em Saúde, Rob Stephenson, espera que as descobertas mudem a percepção dos médicos sobre o abuso doméstico, considerando casais gays em estudos e estatísticas.

Embora a amostra da pesquisa seja limitada, ela apresenta resultados consistentes com estudos sobre violência doméstica entre casais do mesmo sexo. Em 2013, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA descobriram que as taxas de abuso nas relações entre pessoas do mesmo sexo eram semelhantes às dos casais heterossexuais. Enquanto isso, um outro estudo da Universidade de Medicina Feinberg de Chicago, feito um ano depois, descobriu níveis ligeiramente maiores de violência doméstica entre casais gays comparado aos casais héteros.

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“Estamos presos nesta representação mental da violência doméstica como sempre sendo uma vítima do sexo feminino e o causador do sexo masculino. Mas existem outras formas de violência doméstica e também de relacionamentos”, afirmou o diretor do Centro de Sexualidade e Disparidade em Saúde, Rob Stephenson.

Já o psicólogo e co-autor da pesquisa, Richard Carrol, afirmou à BBC: “Existem estressores externos que inclusive favorecem estes casos, como discriminação e violência da sociedade e da própria família contra gays, e há estressores internos, como atitudes negativas internalizadas sobre a homossexualidade também favorecidas pelos mesmos motivos”, concluiu.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).