A revista Marie Claire revelou vários processos que correm na Justiça contra o participante do BBB 20, Felipe Prior. Os documento o acusam formalmente de violentar mulheres entre os anos de 2014 e 2018.

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Segundo a Marie Claire, o primeiro caso aconteceu em 2014, quando a primeira vítima, chamada pela reportagem de Themis, foi abusada em um carro voltando de uma festa com o rapaz. Na ocasião, ela disse que estava bêbada e sem forças quando recusou as investidas insistentes de Prior – que levava ela pra casa e parou o carro tentando colocá-la no banco de trás – e ele usou sua força contra ela na situação, o que acabou lhe rendendo uma laceração em seu lábio vaginal esquerdo.

Ao se dar conta do machucado, ele teria se oferecido para levá-la ao hospital. Ainda segundo a reportagem da Marie Claire, Themis respondeu chorando que queria ir para casa. Felipe a deixou no portão de sua casa e partiu.

Em sua recuperação, ela precisou usar uma fralda geriátrica para conter o sangramento que o ferimento causou, um corte de três dedos de comprimento na região genital. A vítima ainda relatou sofrer com constantes crises de pânico ao lembrar do acontecido até hoje.

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Outra vítima de Prior seria a estudante Freya (outro nome real mantido sob anonimato). Durante os jogos da InterFAU, de 2016, em Biritiba Mirim, Felipe teria cometido uma tentativa de estupro se aproveitando do estado de embriaguez da garota e a levando para uma barraca no camping dos jogos universitários. Segundo o depoimento revelado pela revista, Felipe tentou penetrá-la e diante da negativa a conteve fisicamente usando de sua força.

Ainda conforme as informações divulgadas, Freya disse que o estupro só não foi consumado porque o empurrou com braços e pernas e conseguiu correr. Apesar de ter entrado na barraca do acusado, Freya diz que quando percebeu que não havia camisinha para o sexo, se recusou veementemente a continuar a relação enquanto ele insistiu usando força física.

“Quando começou o BBB, vi um tuíte de uma garota que dizia que o Felipe tinha fama de assediador no Mackenzie. Foi quando entendi que a violência que sofri não era única. Mandei uma mensagem para garota e disse a ela que se aparecessem mais vítimas, me manifestaria. Dessa forma encontrei Themis, que me contou que além do estupro, tinha um boletim médico comprovando a laceração em seu genital”, revelou Freya para a Marie Claire. Foi então que as duas decidiram agir legalmente em conjunto contra o rapaz.

Outra tentativa do rapaz foi em 2018 nos jogos da InterFAU na cidade de Itapetininga. Agora contra Ísis (outro pseudônimo). O relato é parecido com o anterior, incluindo arrastar a garota para barraca e tentar forçar a situação contra sua vontade. Ísis também disse repetidas vezes  que queria que parar e Prior não respeitou sua  vontade.

Segundo o documento obtido pela Marie Claire, o acusado deu tapas no rosto e pelo corpo de Ísis, mesmo depois dela dizer que estava sentindo dor pedindo pra parar. Ela chegou a chorar, mas ele disse que não a deixaria sair dali. Ela só conseguiu sair de dentro da barraca depois que ele caiu no sono quando já era dia.

A criminalista Maria Pinheiro reuniu as histórias e testemunhas para formalizar a denúncia da ação coletiva. As garotas se uniram e souberam das histórias que não eram casos isolados (e mesmo que fossem não seriam menos crime) graças a exposição de Prior no BBB. As denúncias começaram a aparecer nas redes sociais em janeiro, indicando que ele teria tido um mau comportamento durante o período da faculdade, especialmente contra as mulheres, longe de ser um caso isolado.

“As meninas que moram comigo gostam de assistir BBB. Imagina ter que ver a cara dele todo dia?  Mas ao mesmo tempo foi importante para que eu pensasse no  passado. Eu achava que ia superar através do esquecimento. E  vê-lo na TV me despertou muitos  gatilhos e medo de me relacionar com homens”, afirmou Ísis a Marie Claire.

“Conforme tivemos informações sobre a existência de outras, percebemos que, para que os fatos fossem relatados com a devida profundidade e complexidade, teríamos que fazer uma investigação defensiva abrangente. E assim chegamos à segunda e à terceira vítimas e às demais testemunhas. Tivemos inclusive notícia de pelo menos uma outra, que acabou preferindo não depor”, disse a criminalista Maira Pinheiro. Ela e a advogada Juliana Almeida Valente deram início a investigação criminal que fará Prior responder na justiça por duas acusações de estupro e uma de tentativa de estupro.

As advogadas entraram com um pedido de medidas cautelares para que Felipe fosse proibido de manter contato com as vítimas e testemunhas por qualquer meio de comunicação, inclusive por meio de terceiros e internet. Já que os crimes aconteceram em três cidades diferentes, a investigação poderá ser realizada por um grupo especializado do Ministério Público ou se desdobrar em até três inquéritos policiais diferentes.

Saiba mais detalhes e informações na reportagem completa da revista Marie Claire.

Finalizando, como bem lembrou a publicação original: No Brasil, o crime de estupro consta no artigo 213 do Código Penal e consiste em: constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. O estupro é tipificado como crime hediondo e é válido mediante violência real (agressão) ou presumida (praticado contra menores de 14 anos, alienados mentais ou pessoas que não possam oferecer resistência). Atualmente a pena é de seis a 10 anos de reclusão, aumentando para oito a 12 anos quando há lesão corporal da vítima.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).