Um homem gay chamado Kious Kelly, de 48 anos e que vive em Manhattan, é o primeiro enfermeiro a morrer vítima do coronavírus na cidade de Nova York, informou o jornal The New York Times.

Kelly informou sua irmã, Marya Patrice Sherron, em 18 de março que havia testado positivo para o novo coronavírus e estava respirando com a ajuda de um ventilador na UTI. Embora já tenha tido asma na vida, ele era tido como um homem extremamente saudável e faleceu na última terça-feira.

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Funcionários do Mount Sinai West foram à mídia para protestar sobre a falta de equipamentos de proteção individual (EPI), como máscaras e vestidos, o que teria contribuido para a infecção por COVID-19 de Kelly. Antes do teste positivo, Kelly foi visto atendendo pacientes sem o material adequado.

A fatalidade pegou todos de surpresa. Ele chegou a mandar mensagens de texto para amigos dizendo que estava bem e se cuidando.

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Ao relatar a morte de Kelly, o New York Post incluiu uma imagem dos funcionários do hospital vestindo avental envolto em sacos de lixo. O Monte Sinai West supostamente teve “problemas com suprimentos há cerca de um ano”, disse uma fonte ao Post.

This undated photo provided by Marya Sherron shows Kious Kelly. Kelly, an emergency room nurse at the Mount Sinai West Hospital in New York, died Tuesday, March 24, 2020, after a bout with the new coronavirus.
Kious Kelly, vítima fatal do coronavírus.

“Kious não merecia isso”, disse uma enfermeira que preferiu manter o anonimato. “O hospital deve ser responsabilizado. O hospital o matou ele”.

Nova York emergiu como epicentro da pandemia do COVID-19. Na quinta-feira de manhã, 385 pessoas haviam morrido e 5.327 haviam sido hospitalizadas no estado, com 37.258 casos confirmados. Os números estão aumentando exponencialmente. O governador Andrew Cuomo deu briefings diários, descrevendo os perigos da falta de EPIs e respiradores diante da crescente crise.

Kelly cresceu em Lansing, Michigan. Ele se mudou para Nova York há mais de 20 anos com o sonho de se tornar bailarino  antes de se mudar para a área da saúde. Sua página no Facebook mostrava interesse pelas artes cênicas, Rupaul’s Drag Race e pela literatura de Alice Walker.

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Muitos amigos compartilharam boas lembranças de Kelly nas mídias sociais. “Ele sempre levava consigo um bloco de notas e uma caixa de chocolates e balas pra doar a enfermeiras e médicos mais cansados e famintos nos plantões”, disse Joanne Loo, uma uma enfermeira do Mount Sinai West. “Ele espalhava alegria e amor exatamente como o mundo precisa. Ele era um herói enfermeiro para os pacientes e enfermeiros com quem cruzou o caminho. Sua morte dói em todos nós.”

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).